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A pergunta ‘o que é autorrealização?’ deveria ser a primeira a ser ensinada ao ser humano. E o motivo é simples. A autorrealização é o objetivo primordial e é comum a todos nós.

Autorrealizar-se é realizar o sentido da própria vida, com a firme percepção de que o esforço despendido para vivê-la casa com os desejos e valores que nos movem.
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Viver a nudez da verdade
Viver a nudez da verdade

O que queremos quando buscamos a verdade?

Se pedirmos ajuda à Filosofia, encontraremos muitas explicações.

Para Platão, a verdade é o discurso que corresponde às coisas como elas são de fato.

Em Aristóteles, o sentido da palavra verdade é ampliado. Aristóteles rejeita a omissão quando afirma que não basta dizer o que é, faz-se necessário denunciar o que não é.

Santo Agostinho pregava que a verdade é a unidade entre a natureza e o ser. Por isso, para ele, a maior verdade é Deus.

Para Marx, a verdade está nas condições concretas que reproduzem nossa existência. Segundo o pensador alemão, a maior tarefa  existencial é revelar o caráter alienante que o trabalho e o consumo podem ter.

Em Sartre, a verdade é a escolha. Para o existencialista francês, somos seres condenados à liberdade. Nossa verdade são os  frutos de nossas escolhas.

Mas, a despeito das inestimáveis contribuições da Filosofia, tentar enveredar pelas sendas do sentido da verdade não pode ser um exercício desligado da vida nossa de cada dia.  A verdade é filha do discernimento e da lucidez. Nasce do constante exercício da clareza, do tentar enxergar a realidade longe da onipotência, sob a luz da humildade.

Discernir significa ver com clareza, para além dos preconceitos e da superfície. Significa buscar distinguir o supérfluo do que é essencia. Lucidez vem de lúcida que é o nome que se dá à estrela mais luminosa de uma constelação. Não é por acaso, que quando alguém sofre algum processo mental que diminui sua capacidade de julgamento, diz-se dela que perdeu a lucidez.

Um exemplo de incansável busca por discernimento pode ser tirado da vida de Goethe. O autor do “Fausto” dizia buscar incessantemente o comprometimento com a verdade. Talvez por isso, momentos antes de morrer, sabe-se que ele pediu ao camareiro que abrisse a janela dizendo-lhe: “Luz, luz, mais luz”. Era um fim coerente para alguém que tinha como marca, a busca da compreensão da vida e do homem.

Verdade é compreensão ampla. E o lugar ocupado na existência humana na sua busca não é fortuíto. A omissão e a mentira são potenciais causadores de insegurança, desconfiança e, por extensão, de angústia e desamparo entre os homens. A mentira, a difamação estão no núcleo de muitos conflitos, desencontros e tragédias humanas. Daí a essencialidade da reflexão sobre o papel da verdade como atitude geradora de bem-estar social, emocional e paz.

Khaled Hosseini, no livro O Caçador de Pipas, diz que a mentira é um roubo. Para ele  quando mentimos furtamos de alguém o direito de saber a verdade. É indispensável a qualquer reflexão sobre a verdade, pensar no seu caráter solidário, empático mesmo. Por isso, antes de colocar a mochila nas costas e sair procurando atalhos que nos aproximem do lugar da verdade, é sábio ouvir Carlos Drummond de Andrade, quando diz: ‘A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.’

Conceitualmente, a verdade talvez não exista em si mesma. Ela é o desdobramento mais genuíno da compaixão, da empatia e do respeito. Como atitude, talvez a verdade seja o que permanece depois que abstraímos os interesses egoístas, as paixões mesquinhas, as miopias e as ilusões narcísicas.

Mas, a despeito de toda a complexidade do que possa vir a ser, a verdade é uma necessidade existencial. É um vagido do homem na sua busca de humanizar-se. É o grito e a luz da própria sabedoria, por isso é inexorável. A voz da verdade não se cala. Ela alimenta-se do desejo de conhecer que move a própria humanidade.

Viva a vontade de verdade!!

Verdade, escolha do fruto que liberta...
Verdade, escolha do fruto que liberta…

                  Os propósitos nos inventam

Todos nós acreditamos que vivemos uma vida com propósito.

E essa suposição faz sentido. Sem acreditar que nos movemos por algo e para algum lugar, caímos imobilizados ou pairamos sobre a existência sem firmar autorrealização.

O propósito de vida é um direcionador macro que amplia o campo do pensável sobre que biografia queremos escrever. Podemos dizer que o propósito de vida é como um mapa que nos situa na própria existência e nos leva a definir objetivos e metas na direção do futuro.

A consciência do propósito pessoal é que leva à identificação do que se quer construir e nos permite visualizar o quanto de dedicação, esforço, tempo e energia é necessário.

O conceito de propósito é amplo, mas é possível firmar um propósito de vida de forma realística, a partir do levantamento de aspectos cruciais da identidade pessoal, tais como: interesses e aspirações, crenças, competências e valores.

Há quem diga que temos apenas um propósito, ser feliz. Mas isto é muito vago para permitir-nos definir objetivos, metas e planos de ação que materializem realizações. Afinal, quando dizemos que o propósito é a felicidade pessoal, como reconhecer o que nos faz felizes?

Uma saída pode ser extraída da visão de Lao Tsé, o mestre da filosofia oriental. Ele dizia que as grandes coisas são a soma das pequenas; da mesma forma podemos pensar no propósito de vida como a soma de objetivos menores e identificáveis.

Assim, ao pensar no que lhe faz feliz, você pode perceber que cultivar amigos é que lhe dá satisfação e a partir daí, poderá definir objetivos e metas que o aproximem do propósito maior que é ter uma rica sociabilidade, pelo cultivo de grandes amizades.

Muitas frustrações são produzidas não pela ausência de realizações, mas pela percepção do que foi feito como sendo incoerente com os objetivos previstos. Vamos nos movendo por desejos difusos que surgiram como inquietações passageiras. Estamos sempre ocupados e não produzimos o que queremos.

Para romper com esse ciclo vicioso, é preciso conhecer o que está por trás dos desejos e assim, dar consistência à vontade.

O fato é que para materializar realizações, é necessário sabermos o propósito existencial que nos orienta. Nesse sentido, podemos dizer que sem o requisito da autoconsciência, é impossível focalizar ações coerentes e produtivas.

Enfim, o propósito de vida é a nossa utopia. Uma utopia não encaminha soluções, mas sem ela não enxergamos sentido e nos movemos como viajantes perdidos; sem esperança de chegadas felizes. O propósito é o grande inspirador; é como as estrelas no firmamento. Podemos não alcançá-las, mas precisamos nos inspirar com o seu brilho.