Qual é o alimento da alma?
Qual é o alimento da alma?

Como incentivar o hábito da Leitura?

Fazer exortações sobre o valor da leitura parece não ser eficaz para incentivar sua prática. Será mais efetivo demonstrar que o esforço de crescimento não prescinde de um programa de leituras regulares e pertinentes. 

As pessoas gostam de atividades que lhes tragam benefícios palpáveis e se possível, imediatos. Por isso, geralmente, quando se convida alguém a incrementar o hábito de ler, ouvimos argumentos que trazem implícita a seguinte pergunta:

‘E o que a leitura pode fazer por mim?’

Qualquer resposta a tal pergunta precisa incluir no seu conteúdo, os benefícios trazidos pelo hábito de ler. E quais são essas vantagens?

As faculdades desenvolvidas na leitura são transferíveis. Isso significa que quando lemos, aprimoramos habilidades que podem ser utilizadas em outras áreas de atuação.

Por meio da leitura, competências determinantes ao sucesso em qualquer setor são trabalhadas. Vale destacar algumas: a organização de ideias tende a ficar mais elaborada; a comunicação ganha maior expressividade; há maior consistência no argumentar. Além disso, a criticidade torna-se aguda e é expressa com nitidez e tato.

É importante lembrar que o bom estudante e o grande leitor têm vantagens intercambiáveis. Uma pessoa que lê regularmente terá facilidade para compreender e fixar com eficácia e menor esforço o que estuda.

A leitura convida ao estudo. Um caminho para formar bons estudantes é começar formando pequenos leitores. Lendo, vamos aprendendo a noção de esforço sem ansiedades e percebendo que retiramos da solidão e do silêncio, a concentração e não, necessariamente, o tédio.

A despeito de todos os benefícios práticos da leitura, talvez seja sua dimensão estética, como ação sensível e de prazer que dê grandeza ao ato de ler. Viver a leitura como experiência de sensibilidade é compreender o seu alcance para transformar-nos em alguém maior do que somos.

A leitura traz conhecimentos que nos ajudam a ultrapassar a dimensão prosaica da existência. Quando perguntado sobre qual seria o alimento da alma, Sócrates disse: o conhecimento. Para o pensador grego, o conhecimento era palavra mágica e sem leitura, o conhecer será sempre menos rico do que poderia ser. 

A leitura dá acesso ao conhecimento. Sua prática nos reveste de poderes como as palavras pronunciadas por super-heróis para terem dons extraordinários.

Nada de espadas, capas ou anéis mágicos, é o conhecimento que nos chega pela leitura que agiganta a capacidade de compreender e usufruir o real.

O bom hábito traz vantagens. E o hábito da leitura traz benefícios incomparáveis. Quando os gregos antigos queriam fazer mal aos inimigos, desejavam que adquirissem um mau hábito. Certamente, os gregos não queriam que os inimigos fossem grandes leitores.

Relatos de infância, mostram que personalidades notáveis descobriram o poder dos livros precocemente. No conto Felicidade Clandestina, Clarice Lispector refere-se ao livro: Reinações de Narizinho como ‘um livro para ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o’. Para ela, um livro é o amor pelo mundo. Jean Paul Sartre conta que, menino, vagabundeava pela biblioteca do avô e ‘dava assalto à sabedoria humana. Foi ela (a biblioteca) quem me fez’.

A leitura não substitui os atos humanos capazes de forjar o espírito e o caráter, mas é experiência de compreensão ampla da realidade. O ato de ler é como o abrir portais para mundos de significados e possibilidades.

No livro A menina que roubava livros, por exemplo, uma pequena judia utiliza livros como mapas para guiar sua existência numa Alemanha infectada pelo nazismo. A vontade de ler deu propósito a uma vida marcada pela fome e pela angústia de uma criança num mundo sem esperança.

De certa forma, os que apreendem o sentido da leitura são movidos pelo mesmo propósito:  desvendar os mapas da condição humana nos mundos que criamos.

O hábito da leitura traz benefícios incomparáveis.
O hábito da leitura traz benefícios incomparáveis.

Disposição deliberada para escancarar a janela do encantamento

É quase óbvio que todos querem a felicidade. Mas parece que alguns sabem dar ênfase a escolhas que os impulsionam a fluir mais facilmente na direção dessa dádiva tão almejada.

O escritor escocês Robert Louis Stevenson, autor do clássico ‘A Ilha do Tesouro’ pode ser uma figura exemplar de alguém que navegava pelos mares da existência sem perder de vista o núcleo sólido de seus anseios.

Ele costumava dizer: ‘Não há dever mais subestimado que o dever de ser feliz e não vou incorrer nesse erro’. E fez dessa visão, uma filosofia de vida. Viveu uma vida romântica e aventureira de viajante até os quarenta anos, quando chegou às ilhas de Samoa. Lá construiu (mais…)

Chegar lá...

Quero vencer na vida!

Quem não pronunciou essa frase em algum momento da vida?

E sabe por quê?  Todos querem fazer valer o espaço de tempo que passarão neste planeta. Deixar sua marca. Somos seres singulares e querer vencer na vida significa, sobretudo, querer afirmar nossa singularidade na comunidade humana.

E não importa para onde navegamos. Todos queremos acertar o rumo. Aportar no (mais…)

                  Os propósitos nos inventam

Todos nós acreditamos que vivemos uma vida com propósito.

E essa suposição faz sentido. Sem acreditar que nos movemos por algo e para algum lugar, caímos imobilizados ou pairamos sobre a existência sem firmar autorrealização.

O propósito de vida é um direcionador macro que amplia o campo do pensável sobre que biografia queremos escrever. Podemos dizer que o propósito de vida é como um mapa que nos situa na própria existência e nos leva a definir objetivos e metas na direção do futuro.

A consciência do propósito pessoal é que leva à identificação do que se quer construir e nos permite visualizar o quanto de dedicação, esforço, tempo e energia é necessário.

O conceito de propósito é amplo, mas é possível firmar um propósito de vida de forma realística, a partir do levantamento de aspectos cruciais da identidade pessoal, tais como: interesses e aspirações, crenças, competências e valores.

Há quem diga que temos apenas um propósito, ser feliz. Mas isto é muito vago para permitir-nos definir objetivos, metas e planos de ação que materializem realizações. Afinal, quando dizemos que o propósito é a felicidade pessoal, como reconhecer o que nos faz felizes?

Uma saída pode ser extraída da visão de Lao Tsé, o mestre da filosofia oriental. Ele dizia que as grandes coisas são a soma das pequenas; da mesma forma podemos pensar no propósito de vida como a soma de objetivos menores e identificáveis.

Assim, ao pensar no que lhe faz feliz, você pode perceber que cultivar amigos é que lhe dá satisfação e a partir daí, poderá definir objetivos e metas que o aproximem do propósito maior que é ter uma rica sociabilidade, pelo cultivo de grandes amizades.

Muitas frustrações são produzidas não pela ausência de realizações, mas pela percepção do que foi feito como sendo incoerente com os objetivos previstos. Vamos nos movendo por desejos difusos que surgiram como inquietações passageiras. Estamos sempre ocupados e não produzimos o que queremos.

Para romper com esse ciclo vicioso, é preciso conhecer o que está por trás dos desejos e assim, dar consistência à vontade.

O fato é que para materializar realizações, é necessário sabermos o propósito existencial que nos orienta. Nesse sentido, podemos dizer que sem o requisito da autoconsciência, é impossível focalizar ações coerentes e produtivas.

Enfim, o propósito de vida é a nossa utopia. Uma utopia não encaminha soluções, mas sem ela não enxergamos sentido e nos movemos como viajantes perdidos; sem esperança de chegadas felizes. O propósito é o grande inspirador; é como as estrelas no firmamento. Podemos não alcançá-las, mas precisamos nos inspirar com o seu brilho.