Frequentar livrarias e adquirir livros com cheiro de novidade, saber o que escreve a criatividade dos novos autores ou que clássicos foram reeditados é uma experiência inestimável.

Mas, o prazer de frequentar as livrarias grandes ou pequenas, não exclui o hábito de ir a um sebo qualquer e curtir a companhia de velhos e queridos exemplares.

Há quem diga que frequenta sebos para comprar livros baratos. E esse é realmente um valioso motivo.

Mas, que tal ampliar esse olhar?

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É impossível ler tudo o que queremos no tempo que almejamos.

São tantas as escolhas possíveis, dentre a massa de títulos que compõem os acervos das livrarias, bibliotecas e sebos que a saída é fixar um itinerário mínimo de leituras que façam sentido na história pessoal de cada leitor.

Talvez este seja o motivo do sucesso das listas de livros recomendados e de publicações do tipo: livros para ler antes de morrer; livros para amar; livros mais lidos pelos grandes escritores. Entre outros títulos sugestivos do que deve ser lido. (mais…)

As atividades humanas pedem cada vez mais conhecimento. Tal realidade impõe maciça necessidade de constante atualização

Estamos mergulhados num universo (caótico?) de informações. Há um número infindável de livros, sites e publicações,além de toda a gama de conhecimentos não sistematizados.

Esse cenário faz do planejamento, uma prática cada vez mais indispensável aos distintos segmentos da ação humana e põe a gestão pessoal do conhecimento entre as atividades mais essenciais aos esforços pessoais e coletivos de formação profissional.

Se conversássemos com os leitores mais assíduos, perceberíamos que eles costumam seguir um itinerário de leituras.

Eles sabem de que leituras precisam. Muitos fazem planilhas para planejamento e controle de estudos e leituras. Mas de forma geral, a maioria dos grandes leitores têm uma pauta mínima sobre o que precisam ler em determinado período.

Uma pauta de leitura é uma relação previamente elaborada dos livros e textos (em ambiente físico ou virtual) que, na visão do próprio leitor, devem ser lidos em certo espaço de tempo, conforme fins e critérios definidos.

O leitor pode estar buscando aprendizagem especializada, formação geral, amadurecimento intelectual ou apreciação estética. Independente dos objetivos é impossível alcançá-los, prescindindo de uma jornada de leituras.

Outro aspecto que impõe a necessidade da definição prévia de um roteiro pessoal de leituras é a enorme variedade de lançamentos editoriais e o aumento da oferta de livros, seja em livrarias, sites de e-books, seja por meio de bibliotecas públicas, acadêmicas e sebos.

Algumas atividades exigem mais planejamento de leituras a realizar do que outras.

Exemplos? Os especialistas, cujas atividades profissionais exigem o acúmulo e sistematização contínua de informações em determinada área, costumam planejar com atenção e seguir um cronograma do que precisam ler. Na maioria dos casos, são leituras de cunho técnico-profissional que se confundem com atividades de estudo.

Outro grupo que precisa definir um percurso de leituras a realizar, conforme seus fins e estilos literários são os escritores. Ninguém pensa no vazio. Quem escreve precisa de um background de conhecimentos que o torne apto a explorar diferentes assuntos e hábil na forma de abordá-los.

Além desses fatores, há outro que evidencia a relevância de planejar o que se vai ler. A leitura é uma interlocução. Ao ler, tomamos conhecimento de ideias do autor (uma ideia puxa outra) que o remete a outros autores, ideias, livros e interesses. E esta cadeia só aumenta na medida em que nos tornamos leitores mais assíduos.

Um exemplo? Quem leu a Eneida, do poeta Virgílio, possivelmente vai querer ler A Morte de Virgílio, de Hermann Broch.

Planejar leituras, entretanto, é um método de gestão do conhecimento e não uma escravidão. O leitor é sempre livre para estabelecer o que vai ler e até se vai ler algo ou não. Por tudo isso, uma pauta de leitura não deve ser fixa e imutável. É importante ir acrescentando ou cortando títulos.

Somente, assim, o planejamento será fiel ao itinerário de leituras que se precisa realizar e não constituirá um sacrifício. Acredito que quando enxergamos o ato de ler como dolorosa obrigação precisamos repensar sobre o que ele representa para nós.

Afinal, a leitura é atividade de libertação. Se alguém se sente escravizado por uma pauta rígida  de leituras é só lembrar que a rebelião é sempre possível. Afinal, rebelar-se contra regras que nos aprisionam é o mais digno exercício de autonomia. E Nietzsche já dizia: ‘A nobreza do escravo é a rebelião’.

Mas, a rebelião do leitor já é assunto para outro ensaio.

‘Eu realmente preciso ler?’

Já ouvi muito essa pergunta. E, pasmem, até de alunos de cursos de pós-graduação.

Certa vez, um rapaz que acabara de concluir a graduação, confessou jamais haver lido um único livro. Perguntado sobre como cumprira a lista de leituras exigidas no vestibular, respondeu-me que havia lido resumos emprestados de uma colega.

O exemplo é desolador quanto às possibilidades de construção de formações profissionais sólidas e confiáveis, mas o fato é que há estudantes que não consideram a leitura, mesmo remotamente, uma atividade necessária.

E o mais angustiante é o fato de tal realidade ser mais corriqueira do que se possa imaginar. (mais…)

Algumas perguntas são recorrentes nas entrevistas a escritores: ‘Qual o livro mais marcante’? ‘Que livro teve maior influência no seu estilo’? Que livro você recomendaria para quem deseja se tornar escritor?

Se examinarmos a memória dessas conversas, perceberemos que as respostas dos escritores, para esse tipo de questão, quase nunca são fluídas ou espontâneas. Há certa pausa; os entrevistados ou não respondem ou o fazem de forma reticente e esquiva.

Por que será? (mais…)