O que você queria ser?

Sonhar com o futuro é tarefa de sempre
Sonhar com o futuro é tarefa de sempre

O que você quer ser quando crescer?

Que menino ou menina jamais ouviu tal pergunta?

E a pergunta provoca as mais variadas respostas.

As crianças menores querem ser astronautas para ‘brincar na lua’ ou se tornarem pipoqueiros para ‘comer todas as pipocas’. As mais velhas, por sua vez, têm desejos mais pautados no real. Elas querem ser médicos para curarem o mundo e ‘ninguém mais sentir dor’ e há quem deseje se tornar veterinários para ‘cuidar dos bichinhos’.

Entre os jovens, as projeções são mais genéricas e começam a ser realistas. Eles querem trabalhar para ajudar os pais, ter o próprio dinheiro ou ficar ricos. Continuar lendo O que você queria ser?

O que significa receber um troféu?

Blue nude, obra de Henri Matisse
Um troféu é um objeto carregado de sentidos

A palavra troféu vem de expressão utilizada pelos gregos para, nas guerras, nomear os pertences dos vencidos tomados pelos vencedores, e assim, ratificar a vitória.

Hoje, a palavra troféu ainda simboliza vitória e supremacia, mas saiu do cenário bélico e se inseriu em quase todos os campos da atividade humana como sinal inequívoco de reconhecimento.

E essa expansão do uso do troféu para assinalar vencedores é explicável. É quase universal o sentimento de gratificação pessoal experimentado pelos que vencem batalhas pessoais ou coletivas e são por elas, reconhecidos.

E como, em geral, os troféus são atribuídos para reconhecer ações extraordinárias que exigem talento, sacrifício ou superação, os laureados são vistos como seres de capacidade superior. Muitos passam a fazer parte de segmento de seres singulares, espécies de semideuses cultuados por todos.

Talvez, esse seja o principal motivo pelo qual ser distinguido com um troféu seja situação tão cobiçada. Até os maiores em grandeza ou os mais desprendidos, às vezes, deixam escapar certa insatisfação por não serem reconhecidos em algo que os destaca.

Fernando Pessoa já disse: ‘Quantas vezes eu mesmo, que rio de tais seduções, me encontro supondo ser célebre, que seria agradável ser ameigado, que seria colorido ser triunfal’.

 Mas, além de responder de forma profunda à necessidade de aceitação social e sucesso pessoal, o ato de ser laureado nutre outras vontades pessoais e outros fins subjacentes: alimenta sentimentos de autossuficiência, reforça hábitos calcados na presunção de superioridade; fomenta vontades pessoais de personalizar fortemente um estilo individual de ação.

Contudo, não podemos esquecer de que receber um troféu implica responsabilidade diante da sociedade que o confere, razão pela qual, é essencial refletir sobre os troféus recebidos ou almejados.

O primeiro ponto a considerar num esforço reflexivo sobre o significado dos troféus é que, em si, eles não são ruins ou bons.

 O troféu é apenas um objeto, ocorre que em torno dele são criadas representações que indicam valores. Cada pessoa atribui um sentido à experiência de ser agraciado com um troféu.

Exemplificando a dimensão valorativa dos troféus, temos que um ecologista se sentiria ofendido caso fosse laureado por uma associação de caçadores de elefantes para extração do marfim. E um pacifista, possivelmente, não receberia condecorações por serviços prestados à indústria bélica.       

As homenagens em um ponto são parecidas com as ofensas. Cada um que as recebe vai dar peso e sentido diferentes, dependendo dos seus valores e credos pessoais.

É bem ilustrativo disto, um episódio vivido pelo filósofo grego Sócrates. Um transeunte, em certo dia, observou que o filósofo era insultado no mercado da cidade e escutava passivamente, então, questionou-lhe: O senhor vai permitir que o insultem dessa maneira? Ao que o sábio grego respondeu: ‘Por quê? Acha que devo me ressentir se um asno me der coices?’

Assim, para mensurar o significado de um troféu, é útil interrogar antes os valores que fundamentam os propósitos que nos levaram a ser distinguidos. E isto, por uma razão simples: quanto mais elevados os valores que balizam os propósitos, maior o alcance de nossas ações como experiências valiosas não somente para grupos restritos, mas para a humanidade.

Sem dúvida, o troféu é um testemunho inequívoco de êxito, mas é preciso atentar para o que ele ratifica e qual a relevância disso na nossa jornada. Receber um troféu nem sempre nos confere honradez e, não recebê-lo, necessariamente, não nos condena à vulnerabilidade social.

Então, precisamos nos questionar. Os troféus que almejamos são de bronze ou de areia?

A resposta vai depender do que permanece como consequência dos atos e escolhas que nos levaram até eles. O que define o significado de um troféu é o que nos move para ele.

O troféu de bronze que perdura e engrandece é o que atesta coerência e consistência de um projeto de autorrealização que ratifica lucidez quanto à consciência do seu papel social.

Em síntese, não vale a pena sofrer por troféus de areia, os ambicionados por tola presunção de superioridade, prêmios que nos transformam em troféus de nós mesmos, como seres movidos por ações alheias à nossa própria substância.

Obra de Henri Matisse
Troféu para quem?

 

 

 

 

 

Qual é o Seu Propósito?

                  Os propósitos nos inventam

Todos nós acreditamos que vivemos uma vida com propósito.

E essa suposição faz sentido. Sem acreditar que nos movemos por algo e para algum lugar, caímos imobilizados ou pairamos sobre a existência sem firmar autorrealização.

O propósito de vida é um direcionador macro que amplia o campo do pensável sobre que biografia queremos escrever. Podemos dizer que o propósito de vida é como um mapa que nos situa na própria existência e nos leva a definir objetivos e metas na direção do futuro.

A consciência do propósito pessoal é que leva à identificação do que se quer construir e nos permite visualizar o quanto de dedicação, esforço, tempo e energia é necessário.

O conceito de propósito é amplo, mas é possível firmar um propósito de vida de forma realística, a partir do levantamento de aspectos cruciais da identidade pessoal, tais como: interesses e aspirações, crenças, competências e valores.

Há quem diga que temos apenas um propósito, ser feliz. Mas isto é muito vago para permitir-nos definir objetivos, metas e planos de ação que materializem realizações. Afinal, quando dizemos que o propósito é a felicidade pessoal, como reconhecer o que nos faz felizes?

Uma saída pode ser extraída da visão de Lao Tsé, o mestre da filosofia oriental. Ele dizia que as grandes coisas são a soma das pequenas; da mesma forma podemos pensar no propósito de vida como a soma de objetivos menores e identificáveis.

Assim, ao pensar no que lhe faz feliz, você pode perceber que cultivar amigos é que lhe dá satisfação e a partir daí, poderá definir objetivos e metas que o aproximem do propósito maior que é ter uma rica sociabilidade, pelo cultivo de grandes amizades.

Muitas frustrações são produzidas não pela ausência de realizações, mas pela percepção do que foi feito como sendo incoerente com os objetivos previstos. Vamos nos movendo por desejos difusos que surgiram como inquietações passageiras. Estamos sempre ocupados e não produzimos o que queremos.

Para romper com esse ciclo vicioso, é preciso conhecer o que está por trás dos desejos e assim, dar consistência à vontade.

O fato é que para materializar realizações, é necessário sabermos o propósito existencial que nos orienta. Nesse sentido, podemos dizer que sem o requisito da autoconsciência, é impossível focalizar ações coerentes e produtivas.

Enfim, o propósito de vida é a nossa utopia. Uma utopia não encaminha soluções, mas sem ela não enxergamos sentido e nos movemos como viajantes perdidos; sem esperança de chegadas felizes. O propósito é o grande inspirador; é como as estrelas no firmamento. Podemos não alcançá-las, mas precisamos nos inspirar com o seu brilho.