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As ideias não nascem do vazio

‘Eu realmente preciso ler?’

Já ouvi muito essa pergunta. E, pasmem, até de alunos de cursos de pós-graduação.

Certa vez, um rapaz que acabara de concluir a graduação, confessou jamais haver lido um único livro. Perguntado sobre como cumprira a lista de leituras exigidas no vestibular, respondeu-me que havia lido resumos emprestados de uma colega.

O exemplo é desolador quanto às possibilidades de construção de formações profissionais sólidas e confiáveis, mas o fato é que há estudantes que não consideram a leitura, mesmo remotamente, uma atividade necessária. (mais…)

Sonhar com o futuro é tarefa de sempre
Sonhar com o futuro é tarefa de sempre

O que você quer ser quando crescer?

Que menino ou menina jamais ouviu tal pergunta?

E a pergunta provoca as mais variadas respostas.

As crianças menores querem ser astronautas para ‘brincar na lua’ ou se tornarem pipoqueiros para ‘comer todas as pipocas’. As mais velhas, por sua vez, têm desejos mais pautados no real. Elas querem ser médicos para curarem o mundo e ‘ninguém mais sentir dor’ e há quem deseje se tornar veterinários para ‘cuidar dos bichinhos’.

Entre os jovens, as projeções são mais genéricas e começam a ser realistas. Eles querem trabalhar para ajudar os pais, ter o próprio dinheiro ou ficar ricos. (mais…)

 

Leituras que nos formam

É impossível alcançar elevação intelectual prescindindo de leituras pertinentes ao crescimento que desejamos obter, seja em conhecimento ou habilidades.

Razão pela qual é inegável o papel da leitura em todo processo de formação.

Seja para fins de desenvolvimento humano ou no preparo profissional, precisamos de leituras que sedimentem competências cognitivas, sensíveis e práticas.

A questão é que nem toda leitura provoca impactos benéficos e duradouros, daí a importância de, de vez em quando, avaliarmos o emprego do tempo dedicado aos livros. (mais…)

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Um roteiro pessoal de leituras

Os leitores mais assíduos costumam seguir um itinerário de leituras.

De forma geral, eles têm uma pauta mínima sobre o que vão ler em determinado período.

Uma pauta de leitura é uma relação previamente elaborada dos livros que, na visão do próprio leitor, devem ser lidos em certo espaço de tempo, conforme critérios definidos.

Hoje, todas as atividades das diferentes áreas da existência humana assimilam cada vez mais conhecimento e impõem maciça necessidade de constante atualização. Realidade que faz do planejamento, prática cada vez mais comum.

O leitor pode estar buscando aprendizagem especializada, formação geral, amadurecimento intelectual ou apreciação estética, mas independente de seus objetivos, ele não poderá prescindir de uma carga de leituras que deve seguir um roteiro que torne a jornada menos sinuosa. (mais…)

Uma lista para a pauta...
livros para a pauta …

Quando interrogados sobre os livros prediletos, é comum revelarmos a lista que deixará no ouvinte, a melhor impressão quanto ao nível da qualidade de nossas escolhas como leitor. A situação é similar ao processo de divulgação de fotos pessoais, escolhemos as que  revelam os melhores ângulos.

Não há nada de errado quanto às duas situações. Em relação aos livros, apenas vamos passar uma imagem um pouco incompleta quanto ao tipo de leitura que realizamos. Mas, é uma questão pessoal.

O próprio Freud admitiu que a lista que forneceu como sendo de seus livros favoritos, na realidade, era composta por autores que ele considerava esplêndidos, mas não continha, necessariamente, as obras que lhe deixaram as mais fortes lembranças.

Ainda segundo o psicanalista vienense, se partisse do critério da agradabilidade, talvez aquela relação fosse alterada para incluir Emile Zola, Gomperz e Mark Twain, além de outros. Fica evidente que Freud não tinha muito do que lamentar da qualidade de sua lista, digamos ‘secreta’.

Mas, para os ‘simples mortais comedores de letras’ como eu, a história não é bem assim. Admito que quando sabatinada sobre preferências, também sou  seletiva. Costumo declarar as leituras às quais atribuo alto valor literário, grande poder informativo ou pelo inestimável valor humano do seu conteúdo.

Percebo que na lista não aparecem livros que me arrebataram pelo tipo de leitura fácil e prazerosa. Talvez devido a certa responsabilidade quanto às influências que posso imprimir nos outros, excluo, até injustamente, algumas experiências de leitura.

Assim. muitas vezes, deixo de declarar o quanto senti prazer, por exemplo, lendo: O Perfume  de Patrick Suskind; A Cidadela de autoria de A. J. Cronin; O Vale das Bonecas de Jackeline Susann; Servidão Humana de Somerset Maugham, A Boa Terra de Pearl S. Buck e Pássaros Feridos de Colleen McCullough, entre outros inesquecíveis pela forma que prenderam minha atenção, sem esforço e com muito prazer.

Sei que minha lista nem é tão trash, mas procurei ser honesta quanto ao nível de arrebatamento e comodidade na leitura. Puro deleite de leitor que busca apenas, momentos de evasão.

O que motivou essa reflexão é certa inquietação que sinto quanto à estreiteza de critérios, na seleção de leituras, que muitas vezes impomos a nós e aos outros. Mas, o valor da leitura, não está apenas no livro em si, está também nas emoções e impressões que nos provoca.

Por isso, mesmo quando nossa pauta de leitura estiver atrasada ou com grandes lacunas, não devemos nos privar de, de vez em quando, nos lambuzarmos com uma leitura deliciosa que faça tremer a alma, sorrir da graça solta ou nos deixe bisbilhotar uma história frívola sem muito peso dramático ou valor literário.

É como pegar uma panela de deliciosos brigadeiros e, de vez em quando, fugir da dieta de pão integral e hortaliças. Vale a pena abandonar a atenção ao ímã dessas leituras. Deixar-se levar por obras que proporcionam momentos de  intimidade com  autores que adoram seduzir seus leitores.

Victoria de Henri Fantin-Latour
Livros para as pausas…

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Somente a leitura cria o leitor …

 A leitura é base da formação cognitiva, do enriquecimento cultural e do aprimoramento profissional.

O hábito de ler também está associado à ampliação da consciência individual quanto à nossa função político-social e ao crescimento espiritual, sendo visto como fator inalienável quando o objetivo é a promoção dos níveis de qualidade de vida

Confrontadas com tal realidade, as pessoas sentem-se cada vez mais convocadas a rever hábitos a fim de criar cenário pessoal favorável à prática da boa leitura. 

Quando a decisão é arregaçar as mangas, digo, os olhos,  e abraçar a vontade de transformar-se em leitor assíduo, algumas observações são básicas e poderiam compor qualquer cartilha de estímulo à formação do leitor.

Arrisco-me a elencar algumas dessas medidas.

Inicialmente, analise seus interesses. Procure textos e livros que o aproximem de assuntos afins e correlatos. O interesse exerce força de atração que nos ajuda a perseverar na leitura.  Com o tempo, vá diversificando autores, temas e estilos. Há leitores que leem muito do mesmo, o que pode levar à monotonia e desistência. 

Na leitura de ficção, opte por obras com valor literário; às vezes, mesmo quando a história é interessante, o texto está expresso de forma pobre. Nesse caso, o ato de ler diverte, mas não contribui para o enriquecimento da linguagem. De vez em quando, não é proibido ler obras pela simples busca de evasão e diversão, mas se puder aliar diversão e qualidade cultural, você só tem a ganhar.

Inclua no orçamento, algum valor que permita a compra de um livro, pelo menos a cada três meses. Isso, inclusive, pode ajudar na dieta.

Alguns livros clássicos, lançados por edições de bolso ou populares, muitas vezes, custam menos do que alguns sanduíches do tipo fast-food. Você se enriquece culturalmente, aumenta o repertório de ideias, torna-se uma companhia mais estimulante e alimenta o próprio espírito.

Livre-se dos preconceitos. Aproveite todas as oportunidades para ler. Adote uma atitude experimental e tente ler livros que estejam abandonados na estante. Aquele livro velho ou de capa pouco atraente pode reservar ótimas surpresas.

Se você tem dificuldades de manter a atenção, leia livros com capítulos curtos. Quando surgir a vontade de abandoná-lo, imponha-se a missão de só parar, quando finalizar o capítulo e marque o dia do novo ‘encontro’.  Essa estratégia vai impedir que você largue a leitura. Cada livro que a gente abandona enfraquece o desejo de iniciar e finalizar outro.

Fuja da pressa. No início, leia pausadamente, pronunciando mentalmente as palavras, isso facilita a compreensão e estimula a continuidade da leitura. Com  o tempo você vai desenvolvendo técnicas que dão velocidade à leitura sem perda de qualidade.

Veja televisão, mas não ocupe todo o seu tempo. Groucho Marx, o brilhante comediante e ator americano, costumava dizer: “Acho a televisão muito educativa. Toda vez que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e abro um livro.”.

A televisão tem realmente grande apelo plástico e disponibiliza muita informação, contudo, não nos dá tempo para reflexão. Somos bombardeados por informações que acabam sendo eliminadas pelos centros de cognição sem muita utilidade para o exercício da capacidade crítica-reflexiva que a leitura, por exemplo, proporciona, de forma significativa.

A poetisa Emily Dickinson dizia que “Não há melhor fragata do que um livro, para nos levar a terras distantes.”

Embarcando nessa inspiração, interrompo, aqui, essa conversa e convido-lhe a ir à estante, pegar um livro, folheá-lo e quem sabe iniciar a viagem ao mundo encantado que só os leitores conseguem visitar.

Ler é estar acompanhado.
Ler é estar acompanhado.