Uma Biblioteca, Infinitas Possibilidades

Obra de Mike Stilkey

Bibliotecas são plataformas para o futuro

A frequência assídua a bibliotecas traz amplos benefícios à formação, por isto, poderia  ser prática sistemática e aspecto valorizado nos currículos escolares de todos os níveis.

As bibliotecas, por centralizarem um universo ampliado de tipos de livros e autores, permitem sistematizar programas de estudos para o crescimento pessoal. Daí que ir à biblioteca não precisa ter como fim somente as retiradas de exemplares para estudos visando notas.

Quando vamos a uma biblioteca, podemos acessar um universo de informações, experiências e mentalidades que será tanto melhor aproveitado, se adotarmos um regime de ação sistemática e deliberada. 

É assim que vamos compor um lastro de saberes que vai incrementar habilidades e níveis de conhecimentos, que podem fazer diferença no tipo de pessoa que queremos nos tornar.

Personalidades que deram contribuições fundamentais à história humana sabiam do papel das bibliotecas como lugares de conhecimento. Eram verdadeiros ‘ratos de biblioteca’. Freud, Karl Marx, Jorge Luiz Borges e Sartre são alguns exemplos.

Karl Marx leu praticamente todos os livros de Filosofia, História e Economia do acervo da biblioteca de Londres, quando morou naquele país. E seu humor cáustico tornava-se ainda mais tórrido, quando o funcionário precisava fechar o prédio, forçando-o a encerrar o estudo. 

Sartre, por sua vez, no livro autobiográfico ‘As palavras’, confessa como as leituras feitas nas bibliotecas do avô e da escola, foram decisivas na elaboração das ideias que o levaram a ser um pensador sagaz.

Essas e outras figuras extraordinárias encarnam o fato de que para um bom preparo é imprescindível que a prática de frequentar bibliotecas ocupe lugar importante.

Na experiência escolar não deve ser diferente. A biblioteca não pode ocupar um espaço ínfimo na vida da escola. Os estudantes devem ser orientados e estimulados a utilizar a biblioteca e considerá-la como tesouro do qual todos precisam se apropriar.

As práticas educacionais, contudo, ainda precisam avançar e atribuir o devido o valor às bibliotecas. Raros professores reservam tempo de sua disciplina para incentivar os educandos a se apropriar ativamente da biblioteca.

Nas instituições de ensino superior, por exemplo, é suficiente uma ida à biblioteca para perceber o rápido entra e sai de alunos à cata dos livros adotados no semestre escolar. Os livros-texto exigidos nos trabalhos escolares costumam ser os únicos volumes solicitados.

Reconheçamos. Houve melhora no nível de aproveitamento das bibliotecas como equipamentos essenciais, mas ainda há um considerável universo de estudantes e professores que precisam ser sensibilizados nessa direção.

Frequentar bibliotecas, sistemática e deliberadamente, traz infinitas possibilidades de incremento à formação estudantil. E há caminhos que podem ajudar a apurar o gosto e aperfeiçoar a consulta aos acervos.

É útil considerar a possibilidade de levar a ementa das disciplinas e buscar os livros indicados como leituras adicionais ou de aprofundamento; ler prefácios e apresentações de livros que nos chamam atenção pode reservar ótimas surpresas, ajuda na descoberta de autores diversificados, para além do livro-texto.

Uma boa prática é reservar pelo menos um dia no mês para ir sem compromisso à biblioteca da escola e deixar-se flanar com o espírito livre. Aberto à novidade e à descoberta.

Do ponto de vista de ampliação do espectro de aprendizagem, é rico buscar títulos da Literatura universal que tratem do assunto das matérias do semestre e ainda, vasculhar livros de poesia e Filosofia que abordem a temática de estudo de nova perspectiva.

Mesmo em tempos de WEB, a frequência consistente à biblioteca escolar é maneira substantiva de conhecer livros, autores e abordagens de conhecimento que podem transformar mentalidades e mudar histórias de vida.

Em cada escola em que a biblioteca é uma ‘parte morta’ ou um depósito de livros abandonados, há estudantes negligenciados no seu processo de formação.

Uma boa inspiração para enfrentar tal realidade pode vir dos escribas mesopotâmicos. Eles escreviam em tabuletas de argila e as guardavam na ‘Casa das tabuletas’ – similar das atuais bibliotecas – para que as informações fossem repassadas aos alunos.

Eles cuidavam das tabuletas como preciosidades, pois tinham consciência do poder extraordinário conferido aos que eram leitores.

No seu cuidado e valorização das ‘Casa das tabuletas’, os mesopotâmicos deixaram uma lição que talvez, até hoje, não tenhamos aprendido completamente.

A leitura reconstrói mentalidades