Pintura do acervo de SOPHIE ANDERSON JOHN EVERETT

Um dia eu era criança e o meu olhar trazia a espreita de encantos.

E tudo o que eu via era arte e assombro: a chuva caindo como riscos de céu, o entardecer que prometia muitos dias brincantes e a noite que descia sobre mim como magia de estrelas.

E só havia o medo das sombras mas, de repente, meu pai movia as mãos contra a parede e o escuro virava coelhos, cisnes ou uma moça saltitante até que eu só tivesse gargalhadas no adormecer.

Um dia eu era criança e tudo era possível na ponta dos meus lápis de colorir: uma casa feliz com chaminé fumegando delícias; um jardim onde havia sol; pessoas de mãos dadas em eterna ciranda e um portão aberto para horizontes azuis.

Um dia eu era criança e ela trazia uma luz que até hoje ilumina minha vontade de amanhecer.

A tentativa de responder se há ou não falsos leitores precisa considerar, antes, o que seria um leitor.

Há inúmeros critérios que definem quem pode ser considerado um leitor. Para o senso comum, o leitor é alguém que pode ler e faz uso dessa faculdade quando tem vontade ou necessidade.

Mas, há critérios técnicos para conceituar um leitor. Os institutos e clubes de difusão da leitura costumam ter parâmetros quantitativos para estabelecer suas próprias definições. O Instituto Pró-Livro, por exemplo, adota um critério quantitativo e considera leitor toda pessoa que leu pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três últimos meses. (mais…)