Os leitores assíduos, mesmo quando não estão lendo, estão pensando em livros.

Tenho observado o comportamento de pessoas que gostam muito de ler e descobri que muitas delas ‘sofrem’ de uma doce patologia: a leiturice.

A leiturice se manifesta na incapacidade de ficar, pelo menos por um dia, longe de livros. E seus sintomas são evidentes. Primeiro, a pessoa tem dificuldade de parar de ler. Segundo, se estiver impossibilitada de fazê-lo, precisa ter um livro pelo menos à vista.

Observe um leitor acometido de leiturice e perceba como ele fica agitado no ambiente sem livros. Quando verifica que está no deserto (no caso, deserto é um lugar privado de livros) fica agitado. Age como se procurasse ar. Examina o local em detalhes à procura de pelo menos um exemplar que o acalme.

Descobri, também, que ao contrário das outras doenças, a leiturice inventa a própria imortalidade. Explico. O leitor voraz tem sempre uma lista infindável de livros para ler, antes da hora final. Fato que o obrigará a permanecer vivo por pelo menos mais trezentos anos.

Além disso, a leitura é como um condão que pode fazer a mágica de nos transportar do presente ao passado ou voar direto ao futuro. E esses transportes pelo tempo que nos permitem varar milênios em algumas páginas reforçam essa sensação de, nesses momentos, nos sentirmos como seres tocados pela imortalidade.
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Obra de Fernand Toussaint
Livros, sensações e descobertas

Os dicionários revelam uma profusão de significados para a palavra orgia e a maioria deles está associada a festins sexuais.

Entretanto, na origem, a palavra orgia nomeava os rituais dedicados a Deméter, deusa grega da abundância e da distribuição. E que por isso, era tida como propiciadora do trigo e da civilização.

Somente mais tarde, a expressão orgia vai designar cultos feitos em nome de Dionísio. Neles, os adeptos entravam em delírio sagrado em intenção do deus do prazer.

É a partir daí, que orgia passa a batizar festas licenciosas e de excessos sensuais.

Dessa forma, podemos extrair da palavra, sentidos como: desordem, delírio, exagero e anarquia.

Contudo, é possível traduzi-la, também, como sinônimo de celebração e festejo. (mais…)