Jim_Warren-ma_Warren_Painted_worlds_The_intellect
As ideias não nascem do vazio

‘Eu realmente preciso ler?’

Já ouvi muito essa pergunta. E, pasmem, até de alunos de cursos de pós-graduação.

Certa vez, um rapaz que acabara de concluir a graduação, confessou jamais haver lido um único livro. Perguntado sobre como cumprira a lista de leituras exigidas no vestibular, respondeu-me que havia lido resumos emprestados de uma colega.

O exemplo é desolador quanto às possibilidades de construção de formações profissionais sólidas e confiáveis, mas o fato é que há estudantes que não consideram a leitura, mesmo remotamente, uma atividade necessária.

E o mais angustiante é o fato de tal realidade ser mais corriqueira do que se possa imaginar. (mais…)

 

Leituras que nos formam

É impossível alcançar elevação intelectual prescindindo de leituras pertinentes ao crescimento que desejamos obter, seja em conhecimento ou habilidades.

Razão pela qual é inegável o papel da leitura em todo processo de formação.

Seja para fins de desenvolvimento humano ou no preparo profissional, precisamos de leituras que sedimentem competências cognitivas, sensíveis e práticas.

A questão é que nem toda leitura provoca impactos benéficos e duradouros, daí a importância de, de vez em quando, avaliarmos o emprego do tempo dedicado aos livros. (mais…)

Irish artist Brigit Ganley-1909-2002-portrait of her husband Andrew Ganley-jpg
Um roteiro pessoal de leituras

As atividades das diferentes áreas assimilam cada vez mais conhecimento e impõem maciça necessidade de constante atualização.

Nesse universo de informações, há um número infindável de livros, sites e publicações. Tal realidade faz do planejamento, uma prática cada vez mais comum em todos os segmentos da ação humana. E a gestão pessoal do conhecimento entre todos eles, exige ainda mais previdência.

Se conversássemos com os leitores mais assíduos, perceberíamos que eles costumam seguir um itinerário de leituras.

Eles sabem de que leituras precisam. Muitos fazem planilhas para planejamento e controle de estudos e leituras. Mas de forma geral, a maioria dos grandes leitores têm uma pauta mínima sobre o que precisam ler em determinado período.

Uma pauta de leitura é uma relação previamente elaborada dos livros e textos (em ambiente físico ou virtual) que, na visão do próprio leitor, devem ser lidos em certo espaço de tempo, conforme fins e critérios definidos.

O leitor pode estar buscando aprendizagem especializada, formação geral, amadurecimento intelectual ou apreciação estética. Independente dos objetivos é impossível alcançá-los, prescindindo de uma jornada de leituras.

Outro aspecto que impõe a necessidade da definição prévia de um roteiro pessoal de leituras é a enorme variedade de lançamentos editoriais e o aumento da oferta de livros, seja em livrarias, sites de e-books, seja por meio de bibliotecas públicas, acadêmicas e sebos.

Algumas atividades exigem mais planejamento de leituras a realizar do que outras.

Exemplos? Os especialistas, cujas atividades profissionais exigem o acúmulo e sistematização contínua de informações em determinada área, costumam planejar com atenção e seguir um cronograma do que precisam ler. Na maioria dos casos, são leituras de cunho técnico-profissional que se confundem com atividades de estudo.

Outro grupo que precisa definir um percurso de leituras a realizar, conforme seus fins e estilos literários são os escritores. Ninguém pensa no vazio. Quem escreve precisa de um background de conhecimentos que o torne apto a explorar diferentes assuntos e hábil na forma de abordá-los.

Além desses fatores, há outro que evidencia a relevância de planejar o que se vai ler. A leitura é uma interlocução. Ao ler, tomamos conhecimento de ideias do autor (uma ideia puxa outra) que o remete a outros autores, ideias, livros e interesses. E esta cadeia só aumenta na medida em que nos tornamos leitores mais assíduos.

Um exemplo? Quem leu a Eneida, do poeta Virgílio, possivelmente vai querer ler A Morte de Virgílio, de Hermann Broch.

Planejar leituras, entretanto, é um método de gestão do conhecimento e não uma escravidão. O leitor é sempre livre para estabelecer o que vai ler e até se vai ler algo ou não. Por tudo isso, uma pauta de leitura não deve ser fixa e imutável. É importante ir acrescentando ou cortando títulos. Somente, assim, o planejamento será fiel ao itinerário de leituras que o leitor precisa realizar.

As atividades das diferentes áreas assimilam cada vez mais conhecimento e impõem maciça necessidade de constante atualização.

O itinerário de leituras não deve ser um sacrifício. Se alguém, por algum motivo, enxerga o ato de ler como dolorosa obrigação,é bom dar uma parada e pensar no sentido e utilidade que a leitura tem para si mesmo.

É possível exercitar a rebelião. Afinal, rebelar-se contra regras que podem nos aprisionar é um caminho de reflexão. E Nietzsche já dizia: ‘A nobreza do escravo é a rebelião’.

Mas, a rebelião do leitor já é assunto para outro ensaio.

Leituras como exercícios de liberdade
Exercícios de disciplina intelectual