É impossível ler tudo o que queremos no tempo que almejamos.

São tantas as escolhas possíveis, dentre a massa de títulos que compõem os acervos das livrarias, bibliotecas e sebos que a saída é fixar um itinerário mínimo de leituras que façam sentido na história pessoal de cada leitor.

Talvez este seja o motivo do sucesso das listas de livros recomendados e de publicações do tipo: livros para ler antes de morrer; livros para amar; livros mais lidos pelos grandes escritores. Entre outros títulos sugestivos do que deve ser lido. (mais…)

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As ideias não nascem do vazio

‘Eu realmente preciso ler?’

Já ouvi muito essa pergunta. E, pasmem, até de alunos de cursos de pós-graduação.

Certa vez, um rapaz que acabara de concluir a graduação, confessou jamais haver lido um único livro. Perguntado sobre como cumprira a lista de leituras exigidas no vestibular, respondeu-me que havia lido resumos emprestados de uma colega.

O exemplo é desolador quanto às possibilidades de construção de formações profissionais sólidas e confiáveis, mas o fato é que há estudantes que não consideram a leitura, mesmo remotamente, uma atividade necessária.

E o mais angustiante é o fato de tal realidade ser mais corriqueira do que se possa imaginar. (mais…)

Mallarmé por Edouard Manet, 1876
Mirar, apontar e transpor a leitura até a vitória final

O que é um livro intransponível?

É todo livro célebre que gostaríamos de ler, mas desistimos da leitura, por falta de disposição para ultrapassar as centenas de páginas que nos separam do seu ponto final.

E a razão para que os leitores rotulem os livros de intransponíveis é a crença de que um livro é volumoso por causa de problemas que apresenta e não pela sua importância.

É como se o livro extenso fosse automaticamente maçante. Como se, ao invés de anunciar o preparo ou criatividade do autor, denunciasse sua prolixidade e incapacidade de escrever com estilo vibrante.

Mas o que fazer para ‘embaçar’ essa visão? Como redimensionar o olhar e mudar as crenças que nos afastam da leitura? (mais…)

Obra de Fernand Toussaint
Livros, sensações e descobertas

Os dicionários revelam uma profusão de significados para a palavra orgia e a maioria deles está associada a festins sexuais.

Entretanto, na origem, a palavra orgia nomeava os rituais dedicados a Deméter, deusa grega da abundância e da distribuição. E que por isso, era tida como propiciadora do trigo e da civilização.

Somente mais tarde, a expressão orgia vai designar cultos feitos em nome de Dionísio. Neles, os adeptos entravam em delírio sagrado em intenção do deus do prazer.

É a partir daí, que orgia passa a batizar festas licenciosas e de excessos sensuais.

Dessa forma, podemos extrair da palavra, sentidos como: desordem, delírio, exagero e anarquia.

Contudo, é possível traduzi-la, também, como sinônimo de celebração e festejo. (mais…)

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Os livros nos impulsionam

Existe uma ligação dos livros com o futuro?

Uma velha mestra dizia aos alunos que tudo o que eles precisavam saber para construir seus futuros estava ‘escondido’ na biblioteca da escola. Eles só precisariam frequentá-la para ‘descobrir’ o tesouro.

E a sábia professora sabia do que falava. Afinal, sem os livros, o que seria da transmissão de informações e da construção dos saberes?

Mas, em que pese seu valor social e educativo, o apreço pela leitura não é unânime. Há quem a ignore por não enxergar sua ‘utilidade e a nossa realidade estudantil registra o leitor ‘cativo’, tangido à prática apenas pelas obrigações escolares.

Felizmente, existem os leitores costumeiros. Pessoas que desenvolveram o hábito da leitura pela consciência do seu papel. Gente que frequenta bibliotecas, troca, doa e pede livro emprestado. Enfim, faz tudo para ler.

No universo dos que costumam ler, há inúmeros tipos de leitores pelo modo como se relacionam com os livros. E sabemos o peso que a formação de leitores (sociedade, família, escola) tem para definir o modo como cada um se liga aos livros e desenvolve sua prática de leitura.

Há devoradores de best-sellers. Leitores optantes por leitura fluída, que não exige muito esforço de elaboração mental. Consomem livros como se estivessem num supermercado. Vão direto às prateleiras de produtos aprovados pelo grande público.

Há os leitores que consomem livros como ferramentas. Eles investem em livros de caráter técnico, afinados às suas necessidades profissionais. Em contrapartida, existem leitores que veem o livro como objeto de deleite. São guiados pela vontade de cultivar erudição; desfrutar dos clássicos, elevar-se nas asas da poesia ou viajar em biografias, ficção, memórias

Mas o que dizer dos leitores épicos? Modelos exemplares pela forma como suas histórias de vida foram definidas pelo hábito de leitura.

Jorge Luis Borges, escritor argentino, pode ser um considerado um desses leitores modelares. Seus textos, sua vida, seus hábitos, tudo o que o representava se definia pelo fato de ele ser um voraz leitor.

Em 1978, Borges fez uma palestra memorável, na qual declarou sua devoção pelos livros e o hábito de devorar enciclopédias. Vitimado pela cegueira, nunca desistiu do contato físico com os livros e dizia de si próprio: ‘sou um leitor de páginas que meus olhos já não podem ver’.

E nós? Como nos relacionamos com esses objetos que são naves mágicas que fazem, lentamente, nossa travessia até o futuro? Que tal nos reinventarmos como leitores?

Miguel Sanches Neto, autor do livro Herdando uma Biblioteca, diz que enquanto não é lido, o livro é simplesmente papel impresso, pois são os olhos do leitor que o inauguram.

Realmente, é a leitura que transmuta o livro de simples objeto físico em instrumento de transformação. Mas é bom não esquecer: um livro aberto mantém a esperança de que a qualquer momento, nasce um leitor.

Então, voemos, mais e mais alto, nas páginas dos livros.

Obra de Richard Geiger
Os livros estão sempre bem acompanhados…