The-Memory of Fountain. Obra do artista mexicano Gabriel Pacheco.
O ato de presentear é fonte de troca afetiva.

Presentear é um ato milenar. Compõe o esforço de integração e convívio social do homem para firmar-se como ser capaz de estabelecer conexões humanas.

Entrega e presença são palavras que resumem o que está implícito nesse ato, uma vez que ao presentear, a entrega não se limita ao objeto em si. Entregamos carinho, apreço, consideração. Enfim, nos entregamos e fazemo-nos ‘presentes’.

E a origem etimológica da palavra ‘presente’ refere-se exatamente ao tempo presente. Dar um presente é querer materializar-se no aqui e agora e perdurar como presença afetiva diante de alguém. Dessa forma, presentear é um convite para conectar-se e reforçar laços. (mais…)

De onde vem nossa fortaleza interior?
De onde vem nossa fortaleza interior?

Quando nossos limites estão próximos da fronteira e as forças parecem esgotadas, de onde tiramos fortaleza de ânimo?

Nas situações críticas, sejam as exigências do trabalho, as delicadas solicitações do amor ou os momentos em que as decisões sinalizam ameaças, de onde vem a força que nos impulsiona?

O que nos leva a tocar o barco da existência com firmeza e esperança, ao invés de nos lançarmos ao próprio abandono ou à preguiça, quando as tarefas rotineiras parecem sacrificantes e sem sentido, seja por que estamos num dia ruim ou pela descrença no valor desses atos?

Nessas horas, cada pessoa tem suas próprias formas de buscar luz e força para  reacender a chama da disposição e responder aos desafios da existência. Algumas saídas são mais procuradas na busca de vigor e equilíbrio. Há o aconchego familiar, o amparo de amigos, a clarificação pela terapia, o cuidado mais acurado com a saúde, a dedicação primorosa ao trabalho ou o alento da religiosidade.

E, talvez, seja nesses momentos de busca do que nos fortalece, reconhecendo que  estamos enraizados em tudo o que nos rodeia, que vivenciamos com mais força a dimensão espiritual. A palavra espírito significa sopro. Então como vivenciamos a espiritualidade ou cultivamos o sopro que nos impele?

É costume confundir-se religiosidade com espiritualidade.

E é compreensível. A vivência da religiosidade é o aspecto que mais presentifica a consciência de que somos além do que somos. Contudo, a espiritualidade, como dimensão da existência humana pode ser mais ampla.

A espiritualidade se exercita na prática religiosa, mas também, se realiza quando apreciamos a arte; quando nos emocionamos  diante de um crepúsculo; nos momentos em que nos enternecemos com um sorriso de criança, quando nos transportamos ao sublime observando a natureza ou experimentamos um sentimento de conforto ao ouvirmos a cadência de uma prece. Tudo isso exemplifica movimentos de expansão; vivências que nos impelem para além.

Viver a espiritualidade é permitir-se a harmonia com o que existe e com o que sentimos a partir do que existe.

A espiritualidade é a capacidade de reconhecimento da impossibilidade da autossuficiência; é a consciência da profunda conexão entre nós e o que nos cerca. É a faculdade de entrar em contato com o todo e retirar daí os elementos que nos tornarão mais substantivos, capazes de seguir fortes e equilibrados.

Para o religioso, o sopro é a centelha divina e tudo o que advém da experiência mística; para o não religioso, pode ser a prática do cuidado ecológico, a solidariedade ou outras formas de demonstrar o profundo respeito ao mistério que ele credita às forças não divinas.

Contudo, todos esses movimentos evidenciam iniciativas do ser psicológico que somos, que nos lançam para além da noção mais pragmática da existência. Ajudando-nos a agir como seres capazes expandir-se como potência vocacionada ao crescimento.

No exercício religioso, temos as igrejas às quais nos ligamos para abrir caminhos para a força divina, conforme acreditamos. E de certa forma, quando fazemos isso, construímos uma igreja interior, erguemos pilares que sustentarão nosso espírito nos momentos de vulnerabilidade ou impulsionarão novas forças aos atos cotidianos.

Mas, no exercício da vivência espiritual, cada um constrói sua própria ‘catedral’.  Cada pessoa erige sua fortaleza interior, conforme seu desejo de transcendência e de acordo a fome de expansão da própria alma.

A espiritualidade não é, ela ‘está sendo’; é fonte de força, por isso é dinâmica. É busca contínua de expansão rumo ao infinito. E cada um sabe qual o mistério que o intriga, cada qual tem seu próprio encantamento diante do mistério;cada um sabe que cordas o sustentam para que possa caminhar com equilíbrio.

A vivência da espiritualidade reafirma os profundos respeito e zelo pela vida, pela natureza e pelo que conecta tudo isso ao projeto de cada um e ao propósito de todos.

O que fortalece nossas asas?
O que fortalece nossas asas?

Que o tempo seja feliz e que estejamos juntos com ele.
Iluminar o tempo vontade feliz

No ano que acaba de nascer, podemos desejar.

Que os amigos considerem a amizade um bem precioso e sejam leais a isso.

Que a saúde seja presença diária nos acolhendo a cada despertar.

Que o amor seja aliança de amparo e ternura.

Que a família, seja da forma que for e tiver, ninho de aconchego, respeito e cuidado.

Que o trabalho seja prática que nos traga satisfação e dignidade.

Que a fé, com ou sem religião, nos confirme como seres enraizados no infinito e, portanto, movidos pelos mistérios sublimes da espiritualidade.

Que mais do que dinheiro, nossas necessidades do corpo e da alma sejam atendidas com  respeito, justiça e equidade.

Enfim, feliz ano novo, feliz você feliz.

 Cultivar sentimentos que inspirem grandeza.

Iluminar o tempo com vontade nova.

Nino com Paloma obra de Pablo Picasso
Ser feliz é embalar com doçura e firmeza a vontade de estar em paz com nossos próprios projetos ….

É quase óbvio que todos querem a felicidade.

Mas parece que alguns fazem escolhas que os ajudam a fluir mais facilmente na direção de ser feliz.

Não existem receitas de felicidade. Porém, algo se repete na vida dos que se sentem felizes: eles são íntimos de si mesmos, ou seja, conhecem os próprios anseios e são fieis a eles.

Robert Louis Stevenson, autor do clássico ‘A Ilha do Tesouro’ pode ser exemplo de alguém que navegou os mares da existência sem perder de vista o núcleo sólido de seus propósitos.

O escritor escocês dizia: ‘Não há dever mais subestimado que o dever de ser feliz e não vou incorrer nesse erro’. Ele fez dessa crença uma filosofia de vida.

E assim viveu sua vida aventureira de viajante até os quarenta anos, quando aportou nas ilhas de Samoa. Lá construiu a casa, fez o que gostava e ajudou os nativos a lutar pelos próprios direitos. Ao morrer, admirado por todos, foi enterrado no alto de um monte e como sempre desejara, de frente para o mar.

E nós? Como navegamos o barco da busca da felicidade?

A despeito dos caminhos pessoais, o percurso que leva à felicidade requer de todos, cuidar dos suportes da existência ou, podemos dizer, das áreas da vida que propiciam as mais profundas experiências do ser humano.

Podemos dizer que os suportes existenciais são a saúde, o amor, o caráter e o trabalho. Se a felicidade fosse uma febre, o termômetro que a iria medir mostraria a temperatura dessas dimensões comuns da existência.

A saúde é o suporte do bem-estar e da funcionalidade. Ter saúde é sentir o que somos com inteireza e disposição. E só há saúde se houver zelo com o que afeta o próprio corpo.

O amor, nas suas mais diferentes formas, permite-nos viver emocionalmente conectados. O amor é condição para mergulhar na alteridade que o calor humano proporciona.

A família, nas mais distintas formas que possa assumir, é ninho, umbigo e aconchego. O seio familiar nos coloca em sintonia com a ancestralidade tribal. E o senso tribal é fundamento das identidades estáveis.

O caráter expressa a capacidade de firmar compromissos mútuos. É a marca da solidariedade atribuída por nós aos nossos interesses pessoais e nos identifica como pares humanos capazes de convivência segura.

o caráter como expressão do senso de valor que marca as ações nos credencia a ultrapassar a condição mais imediata de animais que somos, para emergirmos como seres  conectados à humana tribo.

Quanto ao trabalho, é difícil pensar em um projeto de autorrealização sem associá-lo a algum tipo de atividade. A inserção na realidade se dá pela ação que forja em nós um sentimento de concretude do mundo e condiciona nossa identidade.

Walter Lippman, um ensaísta americano, definia trajetória profissional de maneira bem ampla. Ele dizia: ‘carreira é a história de desenvolvimento interior que se desenrola por habilidade e luta’. Ele via o caminhar com objetivo e valores retos como atitude unificadora da ação e do sentido da existência.

Enfim, examinando os suportes que sustentam a possibilidade de ser feliz, é possível concluir que no mar da felicidade não há caminho reto. Portanto, é preciso cuidar deles e manter olhos de navegantes curiosos com a disposição deliberada de descobrir horizontes ou enxergar velhas paisagens com olhar inaugural.

Se o desânimo e o hábito inundarem o barco da existência, o mar vira tédio, perdemos a ânsia de horizontes e não enxergamos o chão do próprio barco. E essa é uma tradução fiel do estado de infelicidade.

Felicidade é sentido e ação. É o resultado do trabalho de atribuir significado edificante a tudo o que nos faz humanos.

 Considerar com vigor e esperança todos os pilares que sustentam o sentido de ser feliz...

Considerar com vigor e esperança todos os pilares que sustentam o sentido de ser feliz…

Obra de Tina Felice
Malefícios sob um olhar descrente…

Abra mão do hábito de preocupar-se excessivamente.

Além de não trazer benefícios, a contínua antecipação dos efeitos de problemas, que talvez nunca se materializem de fato, causa um sofrimento mental que nos rouba energia pessoal indispensável às reais batalhas diárias e, não raro, ocasiona terríveis danos psicossomáticos.

É fato. Seja tentando imprimir tempestividade à ação, seja na busca de aliviar tensões, a preocupação constante e excessiva acrescenta sofrimento mental devastador às inquietações próprias dos momentos de agir e decidir.

Outro efeito danoso da preocupação constante é que, preocupar-se pode virar hábito arraigado, portanto, difícil de eliminar. Como resultado, qualquer problema leva-nos a antecipações catastróficas, deflagradoras de emoções negativas, que levam o fracasso e a desesperança a formar o quadro mais perene à nossa frente. 

No estado de preocupação excessiva, a aceleração da expectativa aliada à intensificação exacerbada do impulso de agir sabota a capacidade de julgar num cenário de decisões e prejudica a habilidade de planejar com eficiência.

Tendo presente tal constatação, ceda o espaço ocupado pelo desgaste da preocupação obsessiva à serenidade própria de quem age firme e centrado.

Pare de transformar pensamentos ordinários sobre atos cotidianos em negatividade devastadora que traz a desesperança mórbida e que só permite visualizar riscos catastróficos e lembranças de escolhas malsucedidas.

Há atitudes que são antídotos para a desesperança: pensar com amplitude, tirar o foco do medo e imaginar a situação a enfrentar na perspectiva dos benefícios que trará.

Então, deixe-se guiar pela sua própria força interior. Exclua o pessimismo mórbido.

Como?

Substitua a corrente de pensamentos inquietantes pelo exame consciente da realidade e troque a preocupação doentia por esquemas de ação mobilizadores do melhor de seu potencial.

Em suma, quando a preocupação inútil persistir, lembre-se que a estrela da sorte está no pensamento claro, na ação planejada que ultrapassa receios infundados e nas emoções que impulsionam o agir e não o temor infundado do futuro.

Pintura de Alcides LopesO realismo vem da sensatez aliada à fé no futuro.

A viagem é a soma do proveito das experiências ...
A viagem é soma proveitosa das experiências …

Se alguém disser que adota a prática do contentamento será taxado de Pollyana.

Pollyana é a protagonista do livro de mesmo nome de autoria de Eleanor H. Porter. Publicado em 1913, a obra conta a história de uma garota de onze anos que fica órfã e vai morar com a tia e é confrontada com uma realidade distante da atmosfera amorosa do antigo lar.

E é para enfrentar a nova realidade que Pollyana adota o ‘jogo do contente‘.

O ‘jogo’ consiste em enxergar sempre o lado positivo dos acontecimentos, mesmo quando eles se apresentam injustos ou cruéis. A atitude de Pollyana, apesar de servir como inspiração de muitos leitores, é, também, objeto de crítica ácida por outros tantos que a consideram, no mínimo, ingênua.

Mas o que é o contentamento?

Etimologicamente, contente vem do latim – contentus e continere – estando ligada a dois significados: satisfação e conteúdo. E de fato, a palavra contentamento remete a ambos os termos, uma vez que a satisfação extraída das experiências é indissociável do que somos capazes de suportar ou aproveitar do conteúdo dessas vivências.

Podemos dizer que o ‘jogo do contente’ utilizado pela personagem de Eleanor Porter é uma versão ingênua e juvenil da prática do contentamento. Esta constitui uma estratégia comportamental útil para fazer face às vicissitudes e valorizarmos o lado positivo das batalhas diárias.

A prática do contentamento é exigente quanto à força atitudinal de cada um, talvez por isso, muitos prefiram lançar-se às queixas e à amargura que além de não resolver problemas, sugam valiosa energia emocional.

A prática do contentamento não se confunde com a atitude do famoso personagem Cândido, criado por Voltaire, para satirizar a visão otimista de Leibniz, o filósofo alemão.

Cândido adotava uma visão ingênua e exageradamente otimista, ignorando os obstáculos reais. Ele justificava as ações, usando o argumento de que sempre que agimos por opção própria, tudo depende de nós. Agindo assim, Cândido seguia a máxima do livro que diz que ‘tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, ignorando implicações e condicionantes da realidade.

Ocorre que o mundo não é ficção. Há arestas e obstáculos a ultrapassar. A ação humana é sempre povoada de fantasmas: as dificuldades próprias da realidade; os impulsos que nos afastam das metas; os descomedimentos que nos distanciam da temperança. E há ainda, os medos: de não ser perfeito; de não estar pronto; de estar ultrapassado; de ter de lidar com fracassos e frustrações. Só para citar alguns.

Contudo, é, exatamente, por existirem tantos obstáculos que é preciso aproveitar o potencial para aplicarmos o melhor de nossa capacidade e disposição para realizar o que precisa ser feito, mantendo disposição de ânimo que nos impulsione na direção das metas.

É certo que há muros intransponíveis. Mas toda construção se move pela convicção de que a despeito de tudo e de todos, é possível recriar realidades e mover obstáculos.

Contentar-se é ir na direção do futuro com a perseverança de atletas de alto rendimento em treinamento; é tecer a rotina com paciência e perícia da aranha que trabalha na teia perfeita; é cultivar a tolerância à frustração do monge que sabe que para se conectar ao sagrado, precisará suportar o isolamento e os sacrifícios da frugalidade.

Pode-se resumir o que é contentar-se, dizendo que o contentamento é próprio dos que escolhem um objetivo e vão, diariamente, aproximando-se dele pela realização de tarefas coerentes, por menores que elas possam parecer em confronto com a estatura dos objetivos traçados.

Enfim, contentar-se é saber ao fim de cada dia, que a boa luta foi praticada e que só se vive um dia de cada vez.

Chegar é somente parte da viagem…

A presença é eterna ....
A presença é eterna ….

Uma leitora pediu-me um texto sobre o sentimento de pesar. Ela passava por grande perda e queria ampliar a compreensão sobre o luto.

O pedido mobilizou meus mais caros sentimentos, mas trouxe um desafio: como explorar essa angústia humana fundamental? O que escrever sobre como lidar com o luto e tudo o que nele está envolto? E há respostas para essas questões?

Lembrei que as perguntas são alimentadas pelo espanto que move nossa compreensão. Então, foquei em duas questões para sair em busca de mais luz sobre o tema: é possível construir uma história de vida sem contabilizar algum tipo de perda? As perdas são  incompatíveis com o crescimento humano?

A vida é tecida na alternância de ganhos e perdas. São duas faces da moeda da existência e nos movemos entre elas. E as duas ocorrências exigem transformações, acomodações enfim, aprendizagens. Mas aqui, percorramos o terreno das perdas, buscando enxergar saídas para as dores que invariavelmente acompanham os episódios nos quais deparamos com  o vazio.

Há diferentes tipos de perdas. E existe uma reação distinta para cada frustração, prejuízo, desilusão ou luto que possa se abater sobre nós. A vivência da perda é atributo singular e específico. Cada  perda é vivida sob o foco da percepção de quem a sofre. Assim, perder o emprego do qual se depende para sobreviver é sempre um golpe que trará transtornos, mas a estatura e o modo como isso será vivenciado serão tão distintos quanto impressões digitais de pessoas diferentes.

E a despeito do caráter devastador de algumas dores, é preciso destacar a  melancolia imobilizante enfrentada diante da experiência da perda definitiva de entes queridos. Episódios nos quais podem surgir afetos que levam a sentimentos de desamparo e tristeza profunda. A sentimentos de perplexidade, aflição, agonia, revolta, culpa e remorso. Além disso, a tristeza costuma combinar-se à  autoagressão, juntar-se a certa hostilidade em relação ao mundo e à descrença com o significado da própria vida.

O desamparo parece estar na base das reações presentes no  luto. Sentimento que nos faz  sentir como se tivéssemos sido arrancados de tudo que que nos fazia sentir seguros, seja no plano material ou espiritual, e daí advém o desespero. E não é o desesperar o sentimento dos que acreditam não ter mais o que desejar?

O filósofo dinamarquês Sorën Kierkegaard diz que o desespero é o aniquilamento do desejo. Quando perdemos um ente querido, realmente sentimos como se não pudéssemos desejar nada além da restauração de sua presença. Nosso sentimento de ligação  profunda com essa pessoa grita tão alto que sufoca o fato de sermos seres desejantes, para além das circunstâncias que atravessamos.

Apesar da diferença na forma como pode ser vivenciada, há um itinerário comum percorrido pela dor nos seres humanos. Primeiro, o desespero fundamental, depois, vem a paralisia emocional – fruto da diminuição da vontade de viver (naquele momento, morremos um pouco com o que morre)  – e a seguir, chega o momento da retomada por diferentes caminhos. Mais ou menos saudáveis.

O amor nos faz temer a morte; mas, também, religa-nos de volta à vida. Por mais profundo que seja o sofrimento que se abate sobre a pessoa enlutada, algo parece alimentar seu desejo de  buscar sentidos, para além da  existência de quem se foi. E esse algo é  a  necessidade  que os entes queridos que não partiram continuam sentindo do nosso amor e os apelos que vêm dessa  carência. A necessidade de partilhar  amor  não morre com aquele que perdemos, por mais essencial que fosse sua presença. E é a  consciência  absoluta dessa carência que vai suavizando a dor e  permitindo a transformação. A dor vai transmutando-se em vida nova.

E é essa transição de afetos que ressignificará a dor da perda. São essenciais as trocas afetivas nas famílias ou grupos que se mantém unidos e  confortando-se mutuamente. Esses intercâmbios afetivos favorecem a superação com mais saúde e menor mal-estar. É o exercitar desse amor que vai nos levando a perceber que a presença dos que amamos é eterna e independe da existência física.

Continua na parte 2

A dor é densa, mas transforma-se ...
A dor é densa, mas transforma-se …