O poder das palavras

Obra de Iman Malek

O que as suas palavras refletem?

Você já pensou nas palavras que diz e escuta todos os dias?

É sempre útil pensar sobre isso, pois, entre nós e nossas metas estão as palavras.

Aprender a manejá-las, portanto, pode poupar caminho no percurso que nos levará aonde precisamos chegar.

É fato. O homem não prescinde do uso de palavras. Ditas, escritas ou representadas por sinais e gestos, elas nos pronunciam diante do mundo e nos incluem no jogo de influências indispensável às trocas humanas.

Incontáveis vezes, escutamos o seguinte pedido: ‘Por favor, me deixa vender meu peixe?’. A razão dessa frequência é que Continuar lendo

Qual é o seu livro de cabeceira?

 

Obra de Annick Bouvattier

A leitura desnuda o que ignoramos.

Quem nunca ouviu essa pergunta?

O motivo em torno da curiosidade sobre preferências de leitores é que os hábitos de quem lê dá indícios valiosos sobre quem ele é: ideias, preferências, curiosidades. Há mesmo quem diga que a leitura revela traços de personalidade.

De fato, quando respondemos sobre preferências pessoais, utilizamos critérios particulares do que seja um livro que deixe um registro duradouro na memória afetiva.

Nesse sentido, os livros de cabeceira revelam, realmente, aspectos singulares de quem os prefere.

Mas, o que é um livro de cabeceira? Continuar lendo

O que os relacionamentos fazem de nós

Detalhe de o Beijo de Gustav Klimt.

As relações têm o incrível poder de nos lançar aos céus ou …

Se pudéssemos ouvir as queixas nas sessões de terapia, seria possível constatar que muitas reclamações giram em torno das dificuldades relacionais.

As relações entre pais e filhos e as ligações amorosas destacam-se como focos de queixas.

As relações parentais ganham importância pela intensidade e permanência do vínculo entre pais e filhos. Já o amor romântico e sensual, com seu forte poder de causar sensação de completude nos amantes, tem peso quando julgamos se alguém é ou não feliz.  Não é à toa que os namorados costumam se referir aos parceiros como a ‘cara-metade’. Continuar lendo

Existem falsos leitores?

A tentativa de responder se há ou não falsos leitores precisa considerar, antes, o que seria um leitor.

Há inúmeros critérios que definem quem pode ser considerado um leitor. Para o senso comum, o leitor é alguém que pode ler e faz uso dessa faculdade quando tem vontade ou necessidade.

Mas, há critérios técnicos para conceituar um leitor. Os institutos e clubes de difusão da leitura costumam ter parâmetros quantitativos para estabelecer suas próprias definições. O Instituto Pró-Livro, por exemplo, adota um critério quantitativo e considera leitor toda pessoa que leu pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três últimos meses. Continuar lendo

Entrei na Universidade. E agora?

A escola de Atenas Rafael

As marcas da escola…

Estudantes a caminho da escola. Eis uma cena comovente pelo sentimento de esperança que provoca. Crianças, jovens e adultos na estrada que promete levá-los adiante.

O caminho da escola pode ser uma metáfora apropriada para pensar o  percurso escolar, nos diferentes níveis de escolaridade, como um semear que leva ao futuro.

Visualizemos as diferentes etapas. Cada fase com características e finalidades próprias, exigindo dos estudantes distintas posturas.

A escolaridade que antecede o ensino médio, por exemplo, é o tempo de construção dos fundamentos. Nesse trecho do caminho obtemos os elementos que sustentam o avanço das capacidades cognitivas e existenciais na continuidade da formação.

O ensino médio é um tempo transitivo. Seu programa de estudos avança e propicia ferramentas de compreensão para Continuar lendo

Como Expressamos Nossa Personalidade?

A metamorfose de Narciso

O que pensamos ser? O que somos?

O mundo é um palco.

Você já deve ter ouvido essa expressão tão popular.

Repetida em rodas de conversas, ela traduz a visão de senso comum sobre como expressamos nossa personalidade nos papeis sociais que assumimos.

Quando falamos em papeis, nos referimos ao conjunto de expectativas sociais que os grupos nos atribuem, quanto a condutas que precisamos ter para adequação às necessidades grupais.

O impacto dos papeis na sociabilidade tem sido objeto constante no estudo de psicólogos e cientistas sociais. E a razão disso é que assumir papéis define nossa história na dramaturgia humana. Continuar lendo

Você é Um Anjo

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Invocar proteção é ato propriamente humano

É natural. Nos momentos decisivos, queremos nos manter longe de perigos ou atrair sorte.

Também em horas de tropeços e vicissitudes, queremos acreditar que as coisas voltarão ao normal. E quando tudo dá certo, cremos que fomos bafejados pela sorte ou sustentados por misteriosa força protetora.

Assim, por mais perfeitos que nos consideremos, há em nós, certa consciência instintiva de que somos incompletos e por isso, precisamos de guarda e proteção.

E é essa condição tão própria dos humanos que nos leva a ter a esperança visceral de que existem forças propiciadoras de sorte e que por algum motivo, há um véu de proteção que nos salvaguarda e livra dos laços de ações e escolhas ruins.  

Um verso de Clarice Lispector ensina sobre isso ao dizer: “Ai daquele que cai na tragédia da nudeza de seu véu”.  E há um provérbio que apregoa: ‘aí daquele jogado à própria sorte’.

Tanto o verso de Clarice quanto o dito popular falam dessa intuição que mora recôndita no pensamento e nos alerta de que, talvez, não nos bastemos para realizar nossa força total.

Carl Jung, psicólogo suíço, por exemplo, defendia que  anjos e outras entidades protetivas são realidades psíquicas. Expressões personificadas de realidades inconscientes que propiciam experiências psíquicas de segurança profunda.

É perceptível, então, que não é acaso a crença amplamente disseminada, em seres protetores e a prática comum, em quase todas as culturas, de recorrer a essas forças.

A propósito, a fé em anjos, como seres destinados à proteção individual, é uma das crenças mais difundidas em inúmeras religiões. Na cultura cristã, a hora do anjo (6,12 ou 18 horas) é celebrada com preces e pedidos de proteção por milhões de pessoas.

Certamente, conceber seres vigilantes zelando ações e desejos individuais, mesmo para quem não acredita em mistérios sobrenaturais, é emocionalmente reconfortante e aditivo da autoconfiança.

Mas, e se pensássemos em cada pessoa como um anjo ou ser protetor? E se os anjos não fossem apenas uma legião celeste e remotos à nossa existência? E se houvesse outros anjos, ao alcance da mão? 

Creia. Esse é um sonho possível.

É assim: se cada pessoa exercitar empatia, compassividade, solicitude e assumir compromisso com a grandeza da  condição humana haverá uma legião de seres vigilantes e protetores de si próprios e de seus semelhantes.

E o resultado dessa corrente humana de proteção seria de tal magnitude que o resultado de mil anos de civilização humanitária poderia ser alcançado em pouco tempo, com efeitos benéficos para toda a humanidade.

Assumir a condição de anjos concretos, não alados, mas capazes de fazer voarem fortes as asas da felicidade humana se dá por meio da assunção de três atitudes: proteger-se, proteger, abrir-se à proteção.

Proteger-se. É preciso agir de forma refletida, a irreflexão leva a escolhas equivocadas. Desenvolver consciência do  próprio potencial. Conhecer forças e limites da própria ação para ampliar suas fronteiras ou aceitar limitações com serenidade. 

Boas lições de autoproteção estão nos textos de Santo Agostinho que nas suas ‘Confissões’ diz: ‘o desregrado produz sua própria desventura’ e em Aristóteles que ensinava o caminho da temperança, do bom senso e da reação proporcional aos acontecimentos da vida como fórmula para o viver sábio e feliz.

Proteger. Assumir que somos existências interdependentes. Que nossas ações impactam a vida dos pares humanos; que quando zelamos por interesses para além de apenas ambições individuais; quando exercitamos a compaixão, aprendemos, desenvolvemos habilidades que nos fortalecem como seres autônomos. Portanto, mais capazes de cuidar de si próprios e de ajudar a forjar a grandeza humana.

Finalmente, abrir-se à proteção. Expressar as dores sentidas. Os medos. Receber a cooperação alheia com humildade; admitir que temos momentos vulneráveis; que às vezes, nossa capacidade de julgar e agir está diminuída e incapaz de nos beneficiar.

Abrir-se à proteção favorece a proximidade com os nossos pares e alicerça a confiança dos outros em nós mesmos. Enfim, estabelece relações de parceria.

Nietzsche, o filósofo alemão, no livro: ‘Humano, demasiado humano’, dizia que existe um futuro seguro para a humanidade quando depurarmos da vida tudo o que não seja humano. E nada nos habilita mais como humanos do que a condição de seres cuidados e cuidantes.

O filósofo diz que tudo o que nos afasta uns dos outros são fraquezas humanas. Ele termina o livro com a poesia ‘entre amigos’ que diz assim: ‘É belo calar-se juntos, mais belo rir juntos, sob a ternura de um céu de seda… Rir afetuosamente com amigos, riso claro e mostrar-se mutuamente dentes brancos….’

Os versos do filósofo falam de: reciprocidade, confiança, aceitação mútua, amizade. E não é isso a substância que nos transforma em seres angelicais e poderosos?

 salvador-dali-the-angelus-1935

Ser proteção, proteger-se, proteger