O que suas palavras dizem de você?

Orfeu Solitário, obra de De Chirico

Você já pensou nas palavras que diz e escuta todos os dias?

Saiba que esse é um exercício de autoconhecimento muito útil.

Entre nós e a realização dos nossos desejos, estão as palavras ditas por nós e pelos outros. Portanto, aprender a manejá-las pode poupar esforço no percurso.

O homem não prescinde das palavras. Ditas, escritas ou representadas por sinais e gestos, elas nos pronunciam diante do mundo e nos incluem ou excluem no jogo das trocas humanas.

Incontáveis vezes, escutamos o seguinte pedido: ‘Por favor, me deixa vender meu peixe.’. A razão disso é que em toda fala há alguma negociação, cujo efeito pode eliminar ou criar barreiras à materialização de nossos projetos.

A mitologia, as histórias das religiões e das guerras apontam o manejo das palavras como sendo inesgotável fonte de poder. A força definidora do que dizemos é bem ilustrada no provérbio milenar: ‘A flecha lançada e a palavra dita jamais voltam atrás’.

Nos passes de mágica –‘abracadabra –, nos rituais que dão capacidades notáveis aos super-heróis – ‘Shazam’ – ou na ação devastadora de seres míticos – ‘Decifra-me ou te devoro’-, há sempre uma fala propiciadora de poderes a quem a pronuncia.

Um exemplo fácil de lembrar é o da expressão ‘Abre-te Sésamo’. Bastava dizê-la para ter acesso à caverna com os tesouros de Ali Babá e seus ladrões. No caso, uma simples expressão propicia bens incalculáveis.

É certo que as fábulas contadas nas ‘Mil e Uma Noites’ são traduções da fantasia humana sobre experiências e poderes almejados para auferir fortuna ou conquistar amores, mas na vida real é tão diferente assim?

Será mesmo que não precisamos achar palavras mágicas nas horas exatas para acessar tesouros, conquistar pessoas ou ultrapassar obstáculos?

Imagine se nos momentos cruciais, pudéssemos ter a palavra certeira na direção do coração do ser amado; ou para virar o jogo da vida profissional ou conquistarmos os tesouros da amizade?

Pois a consciência de como nos expressamos e com que objetivo o fazemos é o caminho para o eficiente aproveitamento das palavras como recursos poderosos. Elas têm forma, gosto, cor, textura e brilho. Mais do que exprimir ideias, elas entregam afetos, confessam intenções, gritam dores, firmam vontades, berram revoltas, vociferam pragas ou distribuem bênçãos.

Portanto, ame as palavras, cuide de cada expressão que irá dizer. Saiba o que lhe motiva a se expressar, conscientize-se do que diz e como costuma dizer. Somente assim sua expressão falará bem de você, pois soará como a harpa que, soprando firme e suave, executa a mais tocante melodia.

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5 Comments

  1. Como sempre, é maravilhoso ler suas “palavras” alquimicamente transformadas em bálsamo que nutre nossa alma!

  2. Se texto é perfeito, Liduína. E as suas orientações sobre os cuidados que devemos ter para uma comunicação exitosa,
    dificuldades as quais muitas vezes ignoramos.. Feliz sua abordagem sobre o silêncio como elemento importante na comunicação: eu costumava muito preocupar-me quando ele acontecia comigo e meu(s) interlocutor(es).
    Parabéns pelo magnífico texto e muito obrigada! Que continuemos tendo o privilégio e o presente de ler sua obra.
    Obrigada!
    Jovina

  3. Desculpe o erro de digitação em meu comentário anterior, a frase è : Seu texto,,,
    Jovina

  4. Liduína, que maestria e que poesia em suas palavras! Esse texto, ” O que suas palavras dizem de você?” é tão certeiro em alcançar a desatenção que temos com a imagem que podemos construir com nossa linguagem, em especial nossas palavras! Muio apropriado e bem escrito, como tudo o que você escreve!
    Parabéns e Obrigada!
    Jovina

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