Um dia eu era criança

Pintura do acervo de SOPHIE ANDERSON JOHN EVERETT

Um dia eu era criança e o meu olhar trazia a espreita de encantos.

E tudo o que eu via era arte e assombro: a chuva caindo como riscos de céu, o entardecer que prometia muitos dias brincantes e a noite que descia sobre mim como magia de estrelas.

E só havia o medo das sombras mas, de repente, meu pai movia as mãos contra a parede e o escuro virava coelhos, cisnes ou uma moça saltitante até que eu só tivesse gargalhadas no adormecer.

Um dia eu era criança e tudo era possível na ponta dos meus lápis de colorir: uma casa feliz com chaminé fumegando delícias; um jardim onde havia sol; pessoas de mãos dadas em eterna ciranda e um portão aberto para horizontes azuis.

Um dia eu era criança e ela trazia uma luz que até hoje ilumina minha vontade de amanhecer.

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1 Comment

  1. Lidú, que belo poema! Eu que vivenciei minha infância com você, percebo quanta veracidade há no seu relato tão poético. É sempre um prazer e uma descoberta ler teus poemas e ensaios. Obrigada! Beijo!

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