Leituras na Quarentena

Acabo de reler É Isto um Homem? De Primo Levi. Leitura forte para esses tempos turbulentos de pandemia. Dias difíceis de assimilar.

O livro desse autor que viveu os horrores do holocausto, mesmo tendo qualidade literária extraordinária, não minimiza o impacto que a memória daquela hecatombe nos causa. Além disso, coloca em relevo a constatação dolorosa de que muitos dos maiores sofrimentos humanos foram infligidos pelos próprios homens aos seus semelhantes.

Provavelmente, pela sua importância humanitária, voltarei à releitura do livro de Levi, mas prometi a mim mesma que na quarentena, optaria por leituras leves.

Fiel a esse propósito, selecionei prováveis leituras para fazer até o final de maio (tomara que até lá, a noite que atravessamos já tenha amanhecido em dia de abraços, reencontros e novo esperançar).

Comecei escolhendo livros de crônicas. Separei os seguintes títulos: Porta de Colégio e outras crônicas de Affonso Romano de Sant’Anna; Cisne de Feltro, obra de Paulo Mendes Campos; e Meu Pé de Milho de Rubem Braga. As crônicas, sobretudo as de memórias, costumam me deixar animada. Trazem testemunhos que podem nos ajudar a fazer face às exigências da vida.

Sempre tive inclinação para textos biográficos e a maturidade só acentuou a preferência. Daí que escolhi também diários e livros de inspiração autobiográfica. Estes funcionam como espelhos pelos quais aproveitamos as experiências alheias para o aperfeiçoamento das nossas.

Penso que os diários e autobiografias são repositórios de lições tiradas das vicissitudes e ricas vivências de seus autores e generosamente compartilhadas. Chegar perto dessas lições na quarentena permite-nos reexaminar inquietações menosprezadas em dias de normalidade e a partir desse exame, descobrir o que nos torna mais vulneráveis em momentos de crise.

E foi observando esses aspectos que escolhi os demais títulos e inseri na fila os seguintes livros: As Ruas de Nomes no Ar de Ignácio de Loyola Brandão; Infância, Adolescência, Juventude de Leon Tolstói; a Casa dos Bragas – Memória de Infância de Rubem Braga; Os Diários Secretos de Charlotte Brontë e As Memórias Perdidas de Jane Austen, ambos de autoria de Syrie James.

Penso que essas leituras irão me proporcionar momentos sensíveis de serena reflexão e suave lirismo. Ingredientes essenciais para dissipar a angústia própria desses tempos atípicos.

Se você procura minimizar a angústia e a ansiedade que pairam sobre as situações de isolamento social, convido-lhe a visitar suas estantes e pinçar livros. Faça-o como se escolhesse agradáveis companheiros ou sábios professores. Certamente, a leitura vai ajudá-lo a sair mais fortalecido para o novo tempo.

 

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3 Comments

  1. Essa parte traduziu o desejo de todos nós: “tomara que até lá, a noite que atravessamos já tenha amanhecido em dia de abraços, reencontros e novo esperançar”. Mais um texto excelente! Ao ler, me trouxe a lembrança de te ver escrever seus ensaios do blog em noites de fim de mês. Saudades

  2. momentos sensíveis de serena reflexão e suave lirismo. Ingredientes essenciais para dissipar a angústia própria desses tempos atípicos! tudo o que precisava no momento para deixar mais leve esse momento. Depois quero ficar de leituras autobiográficas tbm gosto desse tipo de leitura!

    ótimos textos tia s2

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