O Tempo, os Sonhos e as Agendas

van-gogh-noite-estrelada-d

Em tarde ensolarada de novembro, saí para comprar a agenda que usaria em 2020.

Virou hábito. Sempre que o tempo dobra a última esquina para acabar o ano, reservo um dia para comprar minha agenda.

Transformei esse ato numa ocasião anual para refletir sobre os passos percorridos no ano que terminará e sobre como caminharei durante o tempo que se aproxima.

Nem sempre foi assim. Até então, eu pegava para uso pessoal, uma entre as várias agendas recebidas de brinde no final de ano. Escolhia qualquer uma. Agia esquecida de que alguns atos são gestos simbólicos.

Eu não havia refletido sobre o uso de agendas, até o dia em que fui ministrar uma disciplina sobre gestão do tempo e organização do trabalho. A partir dali, comecei a ler sobre planificação e organização pessoal e a pensar de forma deliberada sobre as formas que existem para nos organizarmos no tempo e no espaço.

Aprendi que o tempo simplesmente passa. É um recurso efêmero que não pode ser reaproveitado. As horas desperdiçadas jamais são recuperadas.

Hoje, posso gostar e escolher uma das agendas recebidas de brinde; mas se isso não acontecer, repasso-a para alguém que esteja precisando e saio para cumprir meu ritual e escolher algo que realmente me agrade.

Na minha visão, o lado estético – cores, formas, imagens e mensagens inspiradoras – é fundamental. Lembro-me de que em 2010, escolhi uma linda agenda com ilustrações de Catalina Estrada. Eram belas imagens que me inspiravam entusiasmo e impulso criativo. Jamais esqueci. Foi um ano produtivo.

Além da questão estética, a agenda precisa ajudar a distribuir tarefas, compromissos e ócios, de forma proveitosa na janela cronológica de que dispomos. Daí que é imprescindível que uma agenda alie praticidade nos registros e facilidade no manuseio.

Não administramos o tempo, controlamos a agenda, portanto, utilizá-la de forma eficiente permite que as ações sejam mais racionais e evita que pulverizemos esforços e sejamos pressionados por prazos mal projetados.

O uso da agenda ajuda-nos a ter uma organização pessoal eficiente e a manter o foco conectado aos objetivos imediatos e propósitos de longo prazo.

Todos os meios que utilizarmos para agirmos afirmativamente diante da realidade são válidos. Nesse sentido, a agenda anual é valiosa. Na sua concretude simples, ela parece ser apenas um marcador de datas, mas é de fato, um guia. Um instrumento que  nos ajuda a concentrar energia sem desperdiçar vontades.

Ao final do dia, não importa se sua noite está estrelada ou não. Abra sua agenda e veja o que realizou. O que foi procrastinado ou esquecido.

Você viveu um dia que não voltará, mas o que fez o lançará para os dias seguintes e é lá que você acenderá as estrelas das realizações que iluminarão seu destino.

Para quem se organiza chegar ao porto sonhado será sempre mais fácil ou menos penoso.

Organize-se e agende ser feliz.

Posted In:

2 Comments

  1. Ai, Lidu querida, que você me fez viajar para alguns anos já vividos. No meu caso, não escolhia a agenda, mas a aguardava ansiosamente. Naqueles tempos, em Maceió, onde morava, esperava chegar o mês de dezembro e corria à Livraria Caetés para ver se já havia chegado a Agenda de Mário Quintana. Que delícia de agenda! Cada dia uma linda frase poética de Quintana. Todas eram na cor vermelha com letras douradas! Obrigada, Lidu! Obrigada, Quintana!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s