Os Livros Aconchegantes

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Será que conseguimos ler quando nos sentimos tristes, desanimados e até descrentes de nós mesmos?

Realmente, é difícil imaginar que nos momentos, em que o estado de ânimo é abalado por dificuldades, a leitura ajudaria a abstrair e trazer algum alívio do peso que sentimos.

A ideia mais cultivada sobre o que nos alivia quando estamos exaustos, fatigados ou vulneráveis é a de que a leitura é tarefa árdua, inócua e ainda mais tensionadora.

A proposta aqui é rever o modelo mental que nos leva a ter essa impressão e descobrir que a experiência de ler nas horas desafiadoras traz forte alento. Nessas horas, ler pode ter o efeito de uma oração; pode ser uma diversão que abrirá um portal para a evasão das ideias obsessivas que teimam em se repetir como espiral insana na preocupação.

E esse efeito advém do fato de que há leituras que proporcionam sentimentos tão cálidos que conseguem serenar emoções e produzir reconfortante alívio. E, isso tende a ocorrer, principalmente, nos momentos de maior aridez de esperanças.

O fato é que há experiências de leitura que são como bálsamo para o ânimo com forte efeito como rejuvenescedor de esperanças.

Não há um só tipo de livro que nos faça sentir assim.

É certo que algumas leituras sobre espiritualidade e educação emocional atuam beneficamente sobre nosso estado de ânimo. Mas a Literatura pode ser muito eficaz para essa finalidade.

Digo que são os ‘livros aconchegantes’ todos os que nos proporcionam esta experiência de leitura. São aconchegantes os livros cuja leitura vem ao encontro de necessidades emocionais do leitor.

Quando penso nesses livros, lembro-me de quando estava em momento dilemático da minha vida em que me encontrava longe da família e imersa em trabalho desafiador.

Num certo final de semana, especialmente difícil, peguei emprestado de uma amiga, o livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Comecei a lê-lo sem compromisso e de repente a leitura me fez mergulhar em sentimentos bons e próprios do amparo que sentimos quando estamos no seio da família.

A partir daquela leitura, tomei algumas resoluções que me ajudaram a enfrentar melhor a ausência da família e a aumentar os contatos sociais que me aliviavam da saudade.

Naquele momento, aquele foi para mim um ‘livro  aconchegante’.

Lembro-me que tive um sentimento parecido quando li A Odisseia e misturei meus sentimentos com os de Ulisses (Odisseu) singrando mares para reencontrar o lar.

Faço, então, um convite: aproveite esses dias, antes que o ano acabe e veja se descobre um livro que o leve a se aconchegar com suas melhores emoções e tire de você o sentimento mais feliz.

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1 Comment

  1. Ah, querida, Lidu, seu ensaio já é a prova inequívoca do que a leitura nos acolhe, embala e nos “salva”. Mais uma vez, sinto-me agraciada com seus presentes literários.

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