Por que escrevo

 

Obra de Salvador Dali

Tem um grito dentro de mim que só cessa quando escrevo.

Ao escrever, sinto que atinjo minha alma em algo intocado. Alguma coisa que incomoda e lateja como uma velha cicatriz que reabre ao mais leve toque.

Foi bem cedo que percebi o clamor interno para a escrita. Meu mundo mágico era um universo de palavras.

No início era só um murmúrio que me agitava, mas o tempo foi amplificando o chamado. Os cadernos me atraíram primeiro que os livros. Eu os rabiscava como se as páginas em branco fossem palácios de encantamento.

Nas exigências das primeiras redações escolares, eu ignorava regras e normas gramaticais. Floreava frases, inventava.  Se me apaixonava pelo som de uma palavra, eu arranjava um jeito qualquer de intrometê-la no escrito.

Tirei muita nota ruim, mas o prazer de brincar de escrever bonito valia a pena.

O passar do tempo apertou os laços com as palavras. Entre os livros didáticos, os prediletos eram Gramáticas e Dicionários. O gosto pela leitura foi incentivado pela primeira professora que lia histórias de um jeito que fisgava a atenção e criava, nos meninos e meninas à sua volta, a vontade de ler.

Acho que ouvir aquelas primeiras histórias foi o motor do hábito de ler compulsivamente. E daí para sentir desejo de escrever foi um pulo.

E é assim que vou escrevendo aqui, pensamentos que carregam um pouco do grito que me fala do que sou.

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