Prefácio para qualquer bom livro

Johann Baptist Reiter leitor de olhos claros

Ler ou não ler, eis a questão. Quem não se viu diante dessa dúvida na hora de escolher aquela que fosse a melhor leitura?

São tantos títulos, autores e assuntos. Além disso, ler é experiência tão valiosa que deve ser dedicada aos livros que compensarão cada segundo de esforço e concentração.

E vale a pena ter filtros, pois quando acertamos a escolha, a leitura revela-se como um estrondo na alma; ou como vendaval  jogando para longe a poeira das informações incompletas ou superficiais.

Mas como fazer para achar o livro essencial no meio de tantos títulos e tipos?

A leitura do prefácio ou das notas introdutórias da obra podem ajudar, afinal, o prefácio deve ser um anúncio efetivo do tema e dos recortes e caminhos que o autor escolheu para abordá-lo.

Há prefácios que são obras de arte pelo estilo e beleza do texto e que ainda são eficientes no convite para mergulhar na leitura. É certo que, às vezes, os textos inseridos para  apresentar a obra confundem muito mais do que anunciam sua verdadeira natureza. Entretanto, apesar dos prefácios ruins, lê-los ainda é um ótimo filtro na hora de escolher uma boa leitura.

Às vezes, pega-se um título desinteressadamente, mas ao escorregar os olhos pelo começo do prefácio, já se é fisgado pela vontade de continuar lendo.

Outro dia, fiquei imaginando o que diria um prefácio eficiente para convidar qualquer leitor a abraçar um livro. Conclui que independente do que o prefácio diga, ele deve convencer o leitor de que após a leitura, ele (o leitor) sentirá a alma tremendo de emoção e cócegas no cérebro para rever seu modelo mental.

O prefácio para qualquer bom livro deverá dizer que o leitor vai sentir desconfiança do que achava que sabia do assunto.

O bom prefácio alertará o leitor para o susto que levará, pois todo bom livro é uma lição e toda lição é um susto que nos tira do lugar onde nos sentamos acomodados para ver a realidade. O prefácio eficaz vai chacoalhar alguns dos nossos valores e mostrar que precisamos rever o sentido e as razões do que valorizamos.

Finalmente, o prefácio que me seduziria incondicionalmente na direção de um livro contaria que, ao final da última linha da derradeira página, eu me sentiria inquieta e estranha. Estranha por estar usando lente nova para olhar a realidade e inquieta pela vontade de transformar o tédio na alegria de descobrir emoções, valores e verdades que,  até então, minhas lentes pessoais não alcançavam.

 

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