Os Livros Inesperados

Portrait of Mikhail Konchalovsky, the artist’s son, sitting in an armchair 1921
Há livros que desdenhamos

O que esperar de um livro?

Pelo seu inegável valor utilitário, a resposta é simples. Esperamos: aquisição de informações úteis; aprimoramento técnico; qualificação humana; formação profissional; deleite estético; diversão e enriquecimento emocional.

Realmente, é inestimável a contribuição dos livros para a humanidade. Thomas Jefferson os amava e os considerava um tipo especial de capital. Formou valiosa biblioteca enquanto construía sua robusta carreira política. É dele a frase: ‘Os  livros são uma espécie confiável de capital, imune à influência dos banqueiros.’. Confirmando esse apreço inestimável, formou acervo particular tão valioso que originou, simplesmente, a biblioteca do congresso americano.

E de fato, é impensável imaginar o capital intelectual produzido pela humanidade sem o definitivo poder de fixar conhecimentos proporcionado pela invenção do livro, notadamente, após o advento da imprensa.

Aqui, entretanto, o objeto de reflexão é um tipo especial de livro: o inesperado.

E o que é um livro inesperado? É o livro que não conhecíamos ou sequer imaginávamos que seria leitura proveitosa, mas de repente caindo em nossas mãos  se revela poderoso,  pelo efeito exercido sobre nós.

Possivelmente, tal livro nunca figuraria de caso pensado na sua lista de livros obrigatórios. Nem seria visto como provável título na pauta de leitura. Ou seria merecedor de pouso na cabeceira ao lado dos títulos que você não vê a hora de ler.

Mas, de repente, por acaso (será que o acaso existe?) ou providência, o livro está diante de você e, por algum motivo, é merecedor de olhar mais cuidadoso, atenção minuciosa, exame curioso. Então, a atração é inevitável e ele se revela um acontecimento na sua experiência de leitura.

E quem se considera um leitor não pode esquecer. Sim, existem livros que nem desconfiamos do seu valor mas, pelos mais variados motivos, são mananciais pelo poder de penetrar na memória com tal força cognitiva, vibração estética ou apelo emocional que provocam epifanias, arrebatam insights existenciais ou levam ao êxtase e espanto.

São livros que provocam calafrios, risadas íntimas, compreensões súbitas para elevadas interrogações, arrebatamento estético ou esvaziamento de crenças que eram dogmas.

Quando o ‘acaso’ nos salva e temos oportunidade de descobri-los, sentimos um misto de alegria por tê-los lido e um estremecimento ao pensar que talvez nunca o tivéssemos feito se nos fechássemos a experimentá-los.

Por tudo isso, é bom não desdenhar de nenhum livro pelos preconceitos que demarcamos sobre que leituras valem a pena.

mas, quando lidos, provocam epifanias.

 

 

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