Entrei na Universidade. E agora?

A escola de Atenas Rafael

As marcas da escola…

Estudantes a caminho da escola. Eis uma cena comovente pelo sentimento de esperança que provoca. Crianças, jovens e adultos na estrada que promete levá-los adiante.

O caminho da escola pode ser uma metáfora apropriada para pensar o  percurso escolar, nos diferentes níveis de escolaridade, como um semear que leva ao futuro.

Visualizemos as diferentes etapas. Cada fase com características e finalidades próprias, exigindo dos estudantes distintas posturas.

A escolaridade que antecede o ensino médio, por exemplo, é o tempo de construção dos fundamentos. Nesse trecho do caminho obtemos os elementos que sustentam o avanço das capacidades cognitivas e existenciais na continuidade da formação.

O ensino médio é um tempo transitivo. Seu programa de estudos avança e propicia ferramentas de compreensão para que o estudante entre no mundo do trabalho ou dê continuidade aos estudos com maior eficiência prática e fôlego teórico.

O ensino universitário tem valor crucial na formação das gerações para ingresso na vida adulta. Nesta etapa, o estudante obtém domínio de áreas de conhecimentos mais abstratos e complexos que o credenciam ao exercício de uma profissão ou posição social. 

Os estudos no nível universitário, por esse caráter credenciador, têm força promissória   quanto às expectativas que pairam sobre ele, como instância educativa capaz de potencializar sucesso na vida adulta. Razão pela qual, chegar à universidade demarca nítida transição e ocupa no imaginário social o lugar de um ritual de passagem.

Não é por acaso que ingressar em uma instituição de ensino superior de qualidade, frequentar o curso mais adequado ao nosso projeto profissional é tarefa árdua e exige considerável investimento.

Mas será que os calouros chegam à universidade conscientes desses aspectos? Será que suas atitudes potencializam o êxito acadêmico e a satisfação pessoal?

Sim. Há estudantes com atitudes que demonstram consciência da importância do próprio papel para que a formação acadêmica traga os efeitos previstos. É visível que os estudantes detentores desse nível de autoconsciência costumam ser participativos e comprometidos com as exigências da formação.

Todavia, em que pese haver estudantes com tal nível de consciência, há alguns que parecem crer que a matrícula e o diploma são suficientes para fazer face às exigências laborais e da vida social adulta.

Ocorre que os impactos da experiência universitária não são uniformes para todos. O grau de aproveitamento da experiência estudantil não depende apenas da qualidade da instituição. O desempenho acadêmico é fortemente condicionado pelo repertório de atitudes do estudante.

No sentido amplo, começamos a exercer a profissão escolhida, quando ingressamos no curso que nos credenciará ao seu exercício. Cada aula, cada atividade encerra unidades de aprendizado que vão sedimentar competências, além disso, é no campus que nossa rede de relações profissionais começa a ser tecida.

Daí, a importância de se refletir sobre o assunto. Além disso, é pouco inspirador ver jovens de diploma na mão, mas confusos e inseguros quanto à própria capacidade de corresponder às expectativas sociais e às próprias. E esse quadro mostra-se mais grave em um mundo onde o trabalho absorve cada vez mais conhecimentos e é impactado por contínua avalanche de inovações tecnológicas.

Se cada estudante chegasse à universidade mais consciente do seu propósito e das finalidades do ensino universitário seria mais capaz de potencializar ao máximo seu bem-estar e aproveitamento da experiência acadêmica. Como? Ele guiaria sua ação por um plano pessoal de desempenho; suas atitudes seriam revestidas pela proatividade e diligência; ele acompanharia o calendário estudantil; ampliaria sua participação em atividades extraclasse; sua interação expressaria civilidade e atenção.

A colação de grau tem um significado diferente para os alunos, cujo percurso acadêmico foi trilhado de forma consciente.

E essa conclusão não é fortuita.

Afinal, o que dá sentido ao caminho é a caminhada. E esta é muito mais definida pelas pegadas que o caminhante vai deixando na estrada.

Passos adiante e pegadas marcantes…

4 comentários sobre “Entrei na Universidade. E agora?

  1. Claudeildo disse:

    Prezada Lidu, Com reflexões simples e objetivas no seu texto, percebemos que é possível identificar as contradições presentes na forma de pensar a vida. Seu texto lembra a prática socrática: convidar o sujeito a conhecer por si mesmo, via maiêutica – o parto das ideias.

    • Liduina Benigno disse:

      Caríssimo Claudeildo, grata pela visita e comentário ao texto. É uma inquietação que sempre me aflige ver como pessoas
      chegam à universidade sem uma noção mais nítida das finalidades desse nível de ensino e do próprio papel de estudante.

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