Namorar, enamorar-se …..

Obra de  Leonid Afremov

Enamorar-se, mergulhar na riqueza do nós ….

Na data dedicada aos namorados, instala-se um clima diferente. O imaginário avermelha-se de paixão. Tudo parece ganhar o colorido vibrante do que faz pulsar, desejar, entregar-se.

A realidade e as pessoas passam a ser vistas, pelo menos naquele breve dia,  sob o prisma transparente da vontade de voar à quatro asas.

Os ambientes transmutam-se em magia.

Flores são confissões de admiração. Os presentes são promessas de que tudo o que o ser amado receber de nós será dádiva de amor. Vozes de veludo sopram poesias em ouvidos dóceis que escutam versos nem sempre ditos.

Da vela, voa a luz do cúmplice castiçal que, silencioso, homenageia a paixão. Os olhares são abismos, mas também são cordões de afago laçando amantes lançados na busca de querer ser mais que um.

A visão pode parecer um tanto piegas ou romanesca para alguns. Afinal, os céticos quanto à força do envolvimento romântico e os que protestam por avaliar que a data marcada na folhinha homenageando a paixão é um ‘truque’ para impulsionar vendas e explorar namorados incautos.

A despeito dos distintos posicionamentos, o amor tem sempre forte apelo sobre nós. Sendo humanos, sentimos necessidade de apreço e como seres sensuais, queremos ser alvos de enternecimento. Portanto, de alguma forma, as emoções em jogo no namoro são parte da experiência sensível. E a própria palavra namorar tem significados ligados estreitamente à essência do amor, uma vez que namorar significa atrair, cativar e cortejar.

No livro ‘As Paixões da Alma’, René Descartes, o mais metódico dos racionalistas, fala-nos das paixões como forças da alma e nos diz que: “o amor é  paixão virtuosa que representa a benevolência de sentimentos em relação a outra pessoa” Diz ainda, o meticuloso filósofo que é motivo de estimar a nós próprios perceber que somos estimados por alguém.

E é vital pensarmos no amor como força, quando vivemos em época de ódio tão costumeiro, de intolerância tão cotidiana. O desamor parece tão banalizado, que expressar hostilidade e indiferença é visto, muitas vezes, como sendo mais ‘inteligente’ do que demonstrar apreço. Precisamos, como nunca, de antídotos para essa irracionalidade emocional.

As reflexões de Descartes sobre o amor sinalizam que enamorar-se e fazer-se objeto de enamoramento pede aprendizados de amor.

O primeiro deles é estimar-se a si próprio. Só atraímos, cativamos e chamamos alguém para caminhar junto (cortejar-nos) se cultivarmos autoestima. A segunda lição implica na compreensão de que amar é verbo transitivo. O amor carece de objetos. 

Namorar é conectar-se com a aptidão generativa do amor, cuja vivência é afirmação de identidade pelo encontro com o outro.

 

ir embora da solidão ...

Ir embora da solidão…

 

3 comentários sobre “Namorar, enamorar-se …..

  1. JOVINA disse:

    Lidu,

    Que lindo texto!
    Seu ensaio nos traz uma reflexão de serenidade e esperança.
    São tantas as paixões… Filhos, livros, projetos, irmãos, sobrinhos, a natureza, a lembrança dos pais queridos….,
    Lembrei também de uma frase da Nélida Piñon que diz: ” Cada vez me apaixono mais por almas… “.
    BEIJO!
    Parabéns!!! Obrigada!!!
    Jovina

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