O Feminino em Cada Um de Nós

Tela-Menina-com-Pásssaro de Esther Silva, pintora maranhense

Deixar-se voar na leveza de ser o que se é ….

Confesso. Apesar de reverenciar a grandeza humana de todos os seres, sinto certo orgulho de ser mulher.

E esse orgulho pessoal da condição feminina é motivado, sobretudo, pelas lutas travadas pelas mulheres para firmar dignidade num mundo em que o poder e a força sempre estiveram ligados à condição de masculinidade.

Milênios da história humana marcados pela supremacia, não raro violenta, do gênero masculino criou um estranhamento ou negação de tudo o que não é másculo.

A cisão sexista da tribo humana foi o legado antropológico sombrio que tal visão nos legou.

Herdamos um projeto civilizatório, no qual, mulheres  precisam lutar não somente para firmar ‘direitos da mulher’, mas para afirmar sua condição humana, pois sem respeito e justiça não há dignidade e esta é condição primeira de humanidade.

Diante desse fato, não podemos ver o trabalho de edificação da condição digna de ser mulher como uma luta sexista e separada dos demais gêneros.

O orgulho pela bravura das lutas femininas não deve obscurecer a necessidade de  reconhecermos o entrelaçamento do destino dos seres humanos.

Somente reconhecendo-nos mutuamente em nossa diversidade, seremos capazes de criar  uma civilização plural e integradora, capaz de ajudar na superação da crença perversa de que diferenças nos separaram, quando de fato, elas nos enriquecem.

Crença alimentada pela ignorância, ganância ou descaso. Um modelo civilizatório integrador pede que alarguemos a compreensão da condição humana. 

As Ciências Humanas têm dado contribuições à compreensão de aspectos centrais nas questões de gênero que podem ajudar na assunção de um modelo de convivência mais alicerçado na compreensão e menos pautado no preconceito.

A Psicologia Junguiana, por exemplo, tem noções amplas do que é ser feminino e masculino. Carl Jung defende que somos identidades forjadas pela convergência de elementos opostos e complementares. Ou seja, as personalidades femininas e masculinas se expressam não somente pelo que é próprio de uma ou de outra. No homem, há a Anima, personalidade interior com características femininas. Na mulher, essa personalidade interior se manifesta como Animus, núcleo de dotes masculinos.

Simplificando, somos seres de completude. Conciliamos força, agressividade, domínio e impulso tão próprios do masculino, com a intuição e a tendência protetora, propriedades inerentes à condição feminina.

E assim, existimos. Todos os seres com uma porção feminina que se manifesta na nossa ação, que se inscreve de forma própria no nosso modo de ser.

Exemplos?

Fernando Pessoa no seu desassossego criativo pariu poesia como ninguém. Gertrude Stein inaugurou um jeito feminino inusitado de viver a arte e o amor. Mário Quintana e sua poesia alada soprou versos de engajamento com alma quase de menina. Zilda Arns combateu a desnutrição com força de mulher.

Todos precisamos construir êxitos profissionais, relações amorosas significativas, fortalecer laços afetivos, enfim, tocar projetos. E para fazê-lo, é preciso aproveitar todas as características do nosso potencial realizador.

Aproveitamento que é possível quando nos enxergamos como seres de amplitude. Personalidades enriquecidas pela consciência de tudo o que faz o que somos.

Em suma, e a despeito de tudo, gosto de pensar em nós, mulheres, como seres que formoseiam o mundo. Mulheres como doces acalantos a embalar berços, delicadezas de areia fina, leveza de sonhos debruçados em janelas abertas a dias promissores.

Dedico este texto a todas as mulheres e, em especial, à Débora. Ser feminino, substantivo e singular.

Manter a condição que faz quem somos ...

Manter a condição que faz quem somos …

Um comentário sobre “O Feminino em Cada Um de Nós

  1. milene fernandes disse:

    O universo feminino e o universo masculino: cada qual com suas particularidades; cada qual com sua necessidade de se completar, (com o outro).

    Liduína feliz sua mensagem sobre nós. Anos e horas não serão o bastante para exaurirmos palavras para traduzir o mundo de cada sexo. Continue a ‘palavrear’ as esperadas artimanhas desses dois seres separáveis e inseparáveis, ao mesmo tempo. Parabéns, mais uma vez.

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