Querido Diário, Decifra-me ou…

Escreve-me o que escrevo?
Escreve-me o que escrevo?

O maior desafio de cada pessoa é decifrar os enigmas da própria personalidade. E eles, os enigmas pessoais, existem e têm impacto sobre nós.

Um interessado nesses segredos foi Sigmund Freud, o psicanalista vienense que descobriu os processos inconscientes da mente humana.

Quando descreveu os processos inconscientes, Freud sistematizou informações cruciais à ampliação da nossa capacidade de autoconhecimento.

O autoconhecimento é processo fundamental paras a felicidade pessoal. Não é por acaso, que o conhecer a si mesmo é considerado o primeiro requisito de inteligência emocional e muitas personalidades das artes e ciências buscaram incessantemente conhecer o que ia na própria alma.

Rembrandt, por exemplo, pintava exaustivamente autorretratos. Os desenhos penetrantes que ele fazia da própria fisionomia são expressões da profunda necessidade de mergulhar nos sentimentos humanos por meio de si mesmo.

Sigmund Freud, Pai da Psicanálise, elaborou uma técnica psicológica durante sua autoanálise e era impiedoso consigo mesmo ao expor vulnerabilidades.

Clarice Lispector entregava a pena aos fluxos da própria consciência. E era tão intensa a procura de si, que sua escrita revela  borrões do inconsciente e divide misteriosos aspectos de sua alma com os leitores que os reconhecem como pedaços íntimos de suas essências. Virgínia Woolf, por sua vez, escrevia diários, anotações nas quais buscava intimidade não apenas com a arte de escrever, mas consigo própria.

E a exemplo de Virgínia, não são poucas as pessoas que escrevem diários. Mas será que todos têm ideia do poder que esses escritos pessoais apresentam de ajudar no autoconhecimento?

Possivelmente, são poucos os que percebem que manter cadernos íntimos com registros  de fatos e acontecimentos da  rotina é mais que derramar tinta no papel em branco ou digitar palavras na tela luminosa do PC. 

Um diário pessoal são letras que nos escrevem com honestidade, nos enredam, contam o que somos. Traz além do registro de fatos que serão trilhas da memória, rabiscos inéditos da própria personalidade. Estudos de Psicologia da Personalidade mostram que o desejo de escrever diários revela que a alma quer se rabiscar no que a memória insiste em registrar. E os diários conseguem deixar marcações de aspectos valiosos da intimidade que revela muito de nós.

Então, não custa tentar. Comece agora.

Existem inúmeras maneiras de manter um diário. Cada pessoa escreve à sua maneira. Levamos à escrita diária nosso jeito de ser com manias e métodos e é isso que torna cada diário uma pessoa singular e de valor inestimável.

Há quem goste de aproveitar restos de velhos e preciosos cadernos. Há quem escreva em caderninhos ilustrados com capas inspiradoras; existem os que são maníacos por Moleskines práticos e os que não abrem mão de brochuras gorduchas de tantas anotações.

Enfim, a escrita pessoal pode ser prática curativa e exercício de autocompreensão. Escrever nos dá pistas das melhores trilhas pra seguir em frente rumo a desejos e objetivos e, às vezes, pode até nos desviar das dores.

 Gravar impressões na pele do caderno....

Gravar impressões na pele do caderno….

Dedico este texto a Joana Benigno, a irmã mais velha e dona de uma letra de caderno de caligrafia. A visão de seus cadernos escolares rabiscou as primeiras impressões do efeito da escrita na minha alma.

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10 Comments

  1. Lidu, adorei seu tributo ao diário e a busca do autoconhecimento! Senti vontade de resgatar meu caderno de anotações diárias que está no fundo da minha gaveta de cabeceira, há muito esquecido.

    1. Dagmar,

      Obrigada pela visita. Os autores são Daniel Gerhartz e Caravaggio. Basta passar o mouse sobre as figuras que a identificação fica visível. Nunca deixo de dar o crédito das imagnes. Forte abraço.

  2. Querida Liduína,
    Hoje coloco no meu diário que, ao acordar, te encontrei neste texto tão bem escrito, inspirado e inspirador.
    Vou me repetir, eu sei, mas me repito: que bom, você existe!
    Beijo, com muito carinho.

  3. Autoconhecimento é um mergulho sem fim. Quando somos mais jovens preferimos mergulhar nas nossas experiências, quase sempre gregárias. A maturidade nos convida à profundeza das nossas entranhas, em movimento e consciente mudança.

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