Construção do potencial: ser, estar e fazer

Remar, descobrir, chegar a paraísos …

A Divina Comédia é a obra maior de Dante Alighieri. É um poema composto por um canto introdutório e três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma das partes é formada por trinta e três cantos que o autor gostaria que resumissem os saberes filosóficos, teológicos e científicos de seu tempo.

Engajei-me na leitura minuciosa deA Divina Comédia’, por tudo de beleza e cultura que este poema representa. Ler o Poeta de Florença é tarefa sublime mas árdua. Razão pela qual, desde o início da leitura, tudo o que eu desejava era alcançar o Paraíso, ou seja, chegar à parte final do livro.

Então, alcançado o Paraíso, devo celebrar.

Mas este ensaio não é sobre crítica literária. A razão de iniciá-lo abordando essa experiência de leitura é que, sem saber exatamente o motivo, à medida em que caminhava com Dante pelos caminhos da Divina Comédia, fui lembrando de que todos nós estamos sempre trilhando rumos em busca de algum tipo de paraíso.

Imaginei paraísos como linhas de chegada. Retas finais das maratonas que a vida nos impõe ou daquelas escolhidas por nós mesmos. E lembrei-me de como não há ponto de chegada sem um caminhar que dê prosseguimento firme ao esforço da largada.

Fui traçando paralelos entre a travessia de Dante, do Purgatório até o Paraíso, e os nossos esforços para construir uma história feliz e bem-sucedida. E nessa comparação, foi inevitável pensar no potencial de cada pessoa, no seu papel e na forma como é utilizado para ajustar passos, poupar energia e dar arrancadas com foco e pertinência no alcance de objetivos.

O potencial resume identidade (ser), atitude (estar) e ação ( fazer).

Podemos pensar no potencial de cada pessoa, como o resultado sinérgico da soma de suas aprendizagens e experiências que, incorporadas, sedimentam saberes e potencializam competências. E nesse circuito, vamos ampliando a capacidade de agir, compreender, realizar. Quanto mais nos lançamos a experiências, as vivenciamos por inteiro, tanto mais abrimos janelas de compreensão e firmamos competências diversificadas.

Samuel Johnson, o dicionarista do século XVIII, dizia que ao assumir qualquer tarefa, é preciso não se render a posturas amargas ou derrotistas, é preciso visualizar perspectiva positiva e trabalhar com diligência. Na sua visão, a tarefa bem realizada traz no próprio empenho de realizá-la, a recompensa mais certeira: o aperfeiçoamento das próprias habilidades e conhecimentos que nos diferenciam como profissionais.

Não sei se é possível adotar indiscriminadamente a perspectiva de Johnson e ter, sempre, uma atitude receptiva diante de qualquer tarefa. Mas sua visão pode funcionar como um vigoroso lembrete de que sem o treino não se faz pernas firmes e afeitas a jornadas decisivas.

Treino que pode  se traduzir pela cotidiana atenção ao que somos e a como estamos, para potencializar o que queremos nos tornar.

Cuidar do potencial: quem somos, como estamos e como queremos chegar..

Este ensaio é dedicado aos profissionais que se dedicam à Orientação Profissional, especialmente, a: Newmann Monteiro, Betânia Albuquerque e Ana Cecília Araújo.

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4 Comments

  1. Concordo, plenamente, que para qualquer desenvolvimento é necessário que treinemos a aplicação do nosso conhecimento e de nossas habilidades. No entanto, em alguns momentos a atitude é que é necessária. Pois há momentos da vida que devemos mudar o rumo, o treino, seja o que for, pois senão o conhecimento passa a se estagnar e as habilidades serão gastas a toa.

    Bjos e obrigadão pela reflexão!

  2. Lidu, é excepcional a forma tão clara e fluente como você reflete sobre temas tão próprios de nossa existência; O texto, como sempre, está maravilhoso!
    beijo!
    Parabens!
    Jovina

  3. Lidu, querida…. sabes quando um assunto vem a calhar pra quem está lendo? Foi direto no ponto…. no ponto de quem está experimentando um grande desafio profissional…e em alguns momentos do texto fui confirmando sentimentos e arrematando ideias do meu momento. Curiando o seu blog, dei de cara com a Divina Comédia, sob sua visão e adorei. Obrigada por compartilhar! Grande beijo.

  4. Cidinha,

    Sinto-me feliz. Saber que o texto produz identificação nos leitores é tudo para quem escreve e você é uma dessas pessoas especiais, inteiras, que colocam cor e sabor no que fazem e exprimem, então sinto-me mais satisfeita ainda. Grande abraço e sucesso nos desafios que com certeza você abraçará com êxito.

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