Autoconhecimento: caminho de volta a nós mesmos…

Encontrar o coração do que somos…

Percorrer caminhos com os próprios pés. Quem já não escutou algum conselho que ditava a sabedoria do autoconhecimento? A despeito disso, parece que muitos de nós vivemos à deriva, seguindo modelos impostos, imitando escolhas alheias, trilhando caminhos alienados de quem somos.

Mamíferos em manada. O fato, entretanto, é que, de certa forma, em algum nível, somos todos seres atingidos por alguma exigência de adaptação ao ambiente e aos outros. É natural querer seguir os rituais de nossas tribos, buscar a aceitação dos pares. Mais do que natural, talvez isso seja fundamental para nós mamíferos, humanos e racionais como forma de partilhar um destino comum. A questão é que alguns levam isso às últimas consequências e atropelam o próprio senso de identidade pessoal, Não é fácil romper o cerco das exigências de aceitação social e buscar o caminho da autenticidade. Muito de nós, nos sentimos ‘encarceirados’ sem conseguir estabelecer identidade autônoma.

Moby Dick.  Um exemplo tirado na literatura é bem ilustrativo desse sentimento. No livro Moby Dick, de Herman Melville, o Capitão Ahab empreende uma caça enlouquecida à baleia Moby Dick. Para os críticos literários, a empreitada assassina do Capitão Ahab simboliza a luta do homem contra as imposições do destino que limitam a existência.

Seres de ambiguidade. O que o furioso Capitão Ahab não sabia é que além de sermos parte da mesma espécie, somos também, indivíduos, seres simbólicos e criativos e, portanto, ‘condenados à liberdade” (para usar um termo de Sartre). Somos seres jogados à eterna possibilidade de inventar o destino. 

Unicidade. Nossa condição ambígua pode ser vista como um presente e não como maldição. É ela que nos traz a possibilidade de ultrapassar a condição animal e firmar identidade de forma autêntica. Para além da ambiguidade, somos capazes de estabelecer unicidade. Isto significa que além de participar do projeto da comunidade humana, vivenciando altruísmo, construindo formas coletivas de convivência pela compreensão; podemos, ao mesmo tempo, na condição de indivíduos, transcender e romper  padrões, nos estabelecendo como singularidades criadoras.

Salvar baleias. Conscientes dessa condição de ambiguidade, não precisamos, tal qual o escritor americano do século XIX,  inventar baleias indomáveis a serem mortas para vingar um destino implacável. Nossa tarefa nos dias de hoje é bem outra. Usando o exemplo de Moby Dick, precisamos ao contrário ‘salvar baleias’ e instaurar a  metáfora da invenção de destinos sustentáveis.

Autoconhecimento. E qual seria o caminho? O autoconhecimento. É com essa ferramenta que ampliaremos trilhas na busca de liberar nosso potencial de autenticidade.

Autenticidade. Esta é a chave para que, livre das amarras dos modelos artificiais,  liberados de convenções que desagregam, classificam e separam os humanos de seu projeto comum, como espécie una composta de indivíduos únicos, possamos deixar aflorar os recursos que nos transformarão em identidades autênticas.

Atualizar nosso potencial. Dispomos de vastos recursos não liberados. Recursos presos pelo medo de errar, pelo receio do ridículo, pelo temor do não ajustamento aos padrões e gabaritos do que é comumente aceitável. Para liberá-los é preciso extrair força do autoconhecimento. Olhar para nós mesmos e enxergar o sentido da caminhada que empreendemos, para continuarmos mais fortalecidos e orientados por bússolas mais genuínas.

Autoconsciência. As correntes terapêuticas humanistas, representadas, sobretudo, nas figuras dos psicólogos: Victor Frankl, Rollo May e Abraham Maslow  exploram o poder curativo da autoconsciência. Para eles a busca do sentido do que somos gera existências autênticas, propiciadoras da serenidade que só pode ser extraída do pensar e decidir enraizados na nossa identidade.

Nossa digital. Podemos usufruir os dons de nossa condição tribal sem deixar de fortalecer a própria identidade. Somos capazes de deixar a digital por onde passamos, abertos à possibilidade do que somos como histórias constantemente inacabadas.

Olhar para horizontes enxergando o sentido do próprio caminhar…

17 comentários sobre “Autoconhecimento: caminho de volta a nós mesmos…

  1. Maurilio disse:

    Olá Liduina,
    Tomei contato com seu blog hoje. Fico muito feliz em poder ter acesso aos seus textos. Poder beber da fonte da sua generosidade me atualiza a condição de eterno aprendiz.
    Parabéns!
    Maurilio

    • Liduina Benigno disse:

      Caríssimo Maurílio,
      Quanta honra receber sua visita e comentário.
      Muito obrigada. Que bom que você apreciou.

    • Liduina Benigno disse:

      Caríssimo Edgarzinho, poeta do cerrado com alma paulistana,
      muito obrigada pela visita e comentário no Blog. Sinto-me honrada.

  2. JOVINA GOMES BENÍGNO disse:

    Lidu,
    Mais um presente para nós, leitores tão ávidos da boa leitura; o ensaio, como todos os outros, é espetacular; Os pontos tratados são importantes, e eu gostaria de citar a questão tão bem colocada por você que foi a do autoconhecimento como forma de nos diferenciarmos da “massa” e criarmos uma trajetória própria, vindo daí a compreensão da nossa existência;
    È como diz outro poeta (Almir Sater): “… viver é compreender a marcha e ir tocando em frente” e ainda: “cada ser carrega em si o dom de ser capaz e ser feliz”.
    Obrigada pelas idéias, pelos motes e as reflexões que você com tanta propriedade e talento nos propicia.
    Beijo!
    Jovina

    • Liduina Benigno disse:

      Jôjo, seus comentários são sempre estímulos
      valiosos, indispensáveis para
      que eu siga compartilhando ideias.
      Beijo.

  3. Luciana disse:

    Oi Lidu, parabéns pelo texto. É puro oxigênio,e alívio para quem não se enxerga na manada… Bj grande, Lu

    • Liduina Benigno disse:

      Lu,
      Obrigada pelo comentário, esse sentimento
      talvez tenha muito a ver com criatividade e
      tirocínio.
      Beijo.

  4. Jerry Furtado disse:

    Muito legal.
    Liduina, vc escreve com alma de poeta, mas com reflexões profundas dos tempos modernos. Que bom que tem esse dom, e obrigado por compartilhar conosco essas maravilhas.

    • Liduina Benigno disse:

      Caríssimo Jerry,
      Acho que você captou o que
      pretendo passar aos meus leitores.
      Obrigada e forte abraço.

  5. Ângela Barrêto disse:

    Amada Lidu,
    como sempre nos “seduzindo e guiando” para reflexões que engrandecem a alma! Como diz a grande Clarice: “Ser-se o que se é, era grande demais e incontrolável.”
    Viva o “incontrolável”!
    Beijos muito saudosos,principalmente neste mês de julho no qual tivemos muitos motivos para sentir a sua falta (apesar da sua presença constante no nosso coração).

    • Liduina Benigno disse:

      Querida Ângela,
      Que bom receber sua visita e o seu comentário.
      Também sinto muita falta de amigas como você. Mas a distância física não diminui a proximidade pelo carinho.
      Viva a amizade e as
      pessoas sensíveis iguais a você.
      Beijo.

  6. dirleg paigel disse:

    Valeu Lidu !!!
    como eh importante refletirmos que somos seres inacabados e que deixamos nossa digital por onde passamos. Que marcas estamos deixando….

    abraco grande,
    Dirleg

  7. claudia disse:

    Lidu, como sempre encontro vc atenta às limitações humanas, mas sempre apontando um caminho… “falando” de um jeito tão profundo e simples ao mesmo tempo, tão coerente e claro que só me inspira no seguir da caminhada… Lindo, mais uma vez! Um brinde aos q insistem na arte de exercitar o autoconhecimento e a humanidade!!

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