O poder da alegria

A alegria tem poder liberatório

Etimologicamente, a palavra alegria significa ânimo e ritmo. Significados que traduzem bem o que acontece quando nos sentimos alegres.

Para a Psicologia, a alegria é afeto com forte caráter liberatório de entusiasmo e autoconfiança. É estado de ânimo que produz regozijo e ousadia, sendo propício à criatividade.

Como testemunho do caráter liberatório da alegria, basta pesquisar um pouco a história das religiões para perceber que ao longo do desenvolvimento da religiosidade, a maioria das divindades são alegres ou suscitam sentimentos de regozijo, ou seja, historicamente, no pensamento religioso, a alegria confere poder.

Tal crença parece contradizer a visão corrente de que os grandes artistas ficam mais inspirados quando tristes. A Psicologia da Criatividade explica essa aparente contradição mostrando que o impulso ao exercício criativo, nos momentos de tristeza, é uma resposta na busca de superação da imobilidade. Assim, não é a tristeza, mas a vontade de superá-la que ativa o impulso criador.

Não há existência imune ao sofrimento, mas é certo que queremos nos sentirmos alegres na maior parte do tempo. O fato inapelável, entretanto, é que há momentos tristes. Eles chegam com as adversidades e fatalidades. É preciso não perder de vista, no entanto, que dessas horas tristes, além da dor, podemos extrair lições, colocando a experiência do sofrimento em perspectiva construtiva, usando-a como lente para percepção de que a experiência amarga, por mais duradoura que seja, passará.

Para estar aberto à alegria, é fundamental não alimentar o negativismo. Queremos sentir alegria, mas às vezes, trilhamos caminhos tortuosos, quando podemos ser mais retos e objetivos. Há mesmo quem não consiga reconhecer quando está alegre e confunda esse estado de ânimo com impulsividade ou tola efusividade.

Não raro, fazemos tempestade em copo d’água, cultivamos certa postura negativa que põe em evidência somente obstáculos e nos afastam da perseverança, da ousadia e da autoconfiança.

O filósofo romano Tito Pompônio referia-se aos negativistas dizendo: ‘Elas estão habituadas ao desânimo e à tristeza, por isso só enxergam noite, mesmo no que se passa em plena luz do dia.’

O fato é que a alegria é um afeto intenso e mobilizador e por isso há mesmo quem tenha medo de se sentir alegre; a pessoa não se considera merecedora ou está tão acostumada ao negativismo que acha que se sentir alguma alegria, depois passará inevitavelmente por grande tristeza.

Não podemos esquecer que somos suscetíveis à alegria e à tristeza e que, em algum momento, sentiremos uma ou outra. O que vai ajudar a viver com inteireza, a alegria – esse afeto tão mobilizador de criatividade e energia – é aprendermos a integrar os afetos à experiência e extrair deles a consciência do que nos mobiliza, do que mexe com sentimentos e modo de agir.

Consciência de que a alegria é estado de espírito que impulsiona o ânimo, instaura a necessária capacidade realizadora, sem a qual nos sentimos desmobilizados e inseguros quanto ao próprio potencial.

Será a consciência desses aspectos que nos dará condições de viver cada momento com inteireza e de abraçar a alegria sentindo-nos merecedores do êxtase e do vigor e de tudo de bom que com ela chega.

A alegria imprime ânimo, instila ritmo.
A alegria imprime ânimo, instila ritmo.


 

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9 Comments

  1. Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente, ao deleite desse artigo Lidú, nossas vidas foram edificadas pois percebemos que você erradia essa luz..

  2. Moderação é a palavra adequada, acho que a felicidade não está fora da gente, em alguma coisa ou em alguém, mas é interno,está no nosso íntimo, na nossa maneira de olhar o mundo. Lindo texto Liduina. Bjs.

  3. Lindo texto, Lidu! Com certeza “estar alegre é o estado de espírito que impulsiona o ânimo, instaura a necessária capacidade realizadora, sem a qual nos sentimos desmobilizados e inseguros quanto à própria potência para enfrentar desafios…”. Levar a vida com alegria é o grande diferencial! Beijos.

  4. Lidu,
    teu texto é mais um presente; quando você escreve:

    ” alegra-se com consistência quem tem caráter reto, alma sensata e despreza os caprichos da ambição tola” e ainda: ” toda conquista é a projeção de um sonho no solo concreto da existência”,

    você explicita como os valores que nos movem são determinantes na tarefa de construção de toda nossa existência e de como a acolhemos; e da compatibilidade que precisa existir entre nossos sonhos e nossa capacidade de realizá-los, realça nosso poder de transformar e criar;

    Lembrei de uma frase que diz: ” a infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes”.´
    Parabens e muito obrigada por mais esta reflexão.
    Obrigada!
    Beijo!
    Jovina

  5. Amiga Lidu,
    Mais um belo presente! Gostei muito do texto, em especial do trecho que fala do poder criativo do artista…” não é a tristeza, mas a vontade de triunfar sobre obstáculos que ativa o impulso criador”…Nunca havia pensado sob essa ótica e também não sei se existe algum trabalho a respeito, mas gostei da explicação.
    Beijo grande,
    Conceição

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