O diálogo funda e aprimora a existência …

Dialogar é compartilhar boa vontade….

Para trabalhar bem, conviver plenamente e viver feliz é preciso comunicar-se com efetividade. Mas, há um paradoxo. Apesar de sermos seres relacionais e de comunicabilidade, parece que gastamos muita energia emocional sufocando essa potencialidade a despeito da imperiosa necessidade de desenvolvê-la para uma existência edificante.

O paradoxo comunicativo. Parece que o grande mistério por trás desse aparente paradoxo é que as capacidades de interagir e comunicar-se só existem nos indivíduos como potencialidades. É somente na presença do outro, no contato com o semelhante que podemos exercê-las, por isso   não há comunicação sem exercício de alteridade. Ou seja, é impossível comunicar-se sem admitir o outro como parte indissociável da nossa capacidade comunicativa.

Não foi por acaso que Sartre, estudioso da angústia humana, afirmou: ‘O inferno são os outros’. Mas, a despeito da sabedoria do filósofo existencialista, é possível tentar enxergar a presença do outro de uma perspectiva mais otimista.

Para começar, é preciso lembrar que o estranhamento é o aspecto que marca nosso contato com o mundo, desde o nascimento.  A comunicação e a interação são os instrumentos que inauguram e mantêm o vínculo humano. São os pilares da existência que só se materializa pelo trabalho e pela convivência.

Comunicação e interação. A comunicação é a ferramenta que permite o desvendamento da realidade  e que nos enxerguemos como membros da comunidade humana. A interação é o campo onde se pode semear  a compreensão do mundo, enquanto lugar para atuarmos cooperativamente na instalação do diálogo.

Interagir de forma que o diálogo, resultado de esforço e disciplina, traduza um comunicar cujo objetivo é uma coexistência de justiça, paz e realizações é nossa maior tarefa, desafiadora, mas não intransponível.

Quebra de paradigmas. As crises da atualidade têm produzido intensas quebras de paradigmas, obrigando-nos a ver a realidade sob novo prisma. O Prgamatismo Racional foi abalado por descobertas como a de Howard Gardner, psicólogo estudioso de tipos de inteligências que vão além de aptidões como operar números, máquinas e palavras.

Para Gardner, a capacidade de fazer amigos e resolver conflitos e a correlação dessas habilidades na obtenção de êxito e felicidade, por exemplo, sinalizam que o repertório de competências humanas pode ser muito mais amplo e deve ser explorado para assunção de modelos de convivência e comunicação mais integrais e inclusivos.

Via de acesso a respostas que angustiam a humanidade, o diálogo se opõe a práticas predatórias que teimam em inserir-se nos diferentes tipos de convívio, camufladas como meios aceitáveis à existência humana.

A relação com o outro é o cenário que pede o diálogo como solução capaz de provar, mesmo aos mais céticos, que somos seres relacionais e que permite a cada homem realizar-se e concretizar o projeto humano, de caminharmos como seres inteligentes, construtores e de sociabilidade.

O caminho não é fácil. Mas é preciso andar, tropeçar e fortalecer-se no seu trilhar. Como afirmava Colleen McCullough, autora de Pássaros Feridos: ‘Somente os que tropeçam e caem conhecem as vicissitudes do caminho’.

Pensemos nisso. Talvez não haja outra alternativa para que as gerações consigam passar à nossa descendência, o bastão do respeito, da dignidade e da vida.

Convivência e trabalho: pilares da existência.

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9 Comments

  1. Grande Lidu, sempre oferecendo reflexão para nossa prática no mundo Corporativo. Comunicação hoje é a peça que não pode faltar na busca contínua do aperfeiçoamento profissional. Parabéns.

  2. Obrigada, Liduina. Vou compartilhar com a equipe. Escolher o dialogo eh nosso desafio permanente!

  3. Viajei recentemente pela TAM e a companhia lançou uma campanha chamada “Diálogos”, que coloca pessoas de universos aparentemente distintos para dialogarem sobre suas realidades… a reflexão que você propõe é a mola-mestra de nosso tempo… os seres humanos encontrariam a riqueza que cada um possui se optassem pelo diálogo…. belo texto!

  4. Caríssima Lidu,

    Mais uma vez somos agraciados com um belíssimo texto, com muito a refletir. Deus a abençoe. Grande abraço.

    Emília Sandes

  5. Lidu, seu texto, não diferente dos outros, é excepcional; que bela e lúcida reflexão sobre o diálogo e sobre as interações humanas!
    Penso em que mundo maravilhoso viveríamos, já hoje, se a comunicação entre os humanos se desse de uma forma, pelo menos parecida, com a ideal forma de ver , sentir e ao outro dizer, que você tão bem nos argumenta em seu ensaio (como em tantos outros).

    Genial tudo e, em especial: “… o diálogo se opõe a práticas predatórias que teimam em inserir-se nos diferentes tipos de convívio, camufladas como meios aceitáveis à existência humana”.
    Você é genial!
    Grande beijo e muito Obrigada.
    JOVINA

  6. amei amiga Lidu, você realmente sabe escrever com propriedade , aprendo muito lendo seus textos…obrigada…bjs no coração!

  7. “Quem não compreende um olhar,
    tampouco compreenderá uma longa explicação”
    Mario Quintana

    Seu olhar fala muito, Lidu! E vc consegue traduzi-lo em palavras.
    Saudades…

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