Sobre metas e realizações…

Equilibrar-se na vida. Superar obstáculos tendo noção das dádivas e pesos carregados.

Todos nós acreditamos que vivemos uma vida com propósito. E essa pressuposição faz sentido. Precisamos crer nos pontos cruciais que formam nossa identidade – síntese que dá suporte para visualizar anseios e firmar um projeto de vida.

Nosso propósito é uma estrela-guia nos mares da existência. Há quem diga que todos temos apenas um propósito: ser feliz. Mas essa expressão talvez seja insuficiente para expressar o que nos atiça. O que nos acende para os desafios da vida. Precisamos dar nitidez à estrela que miramos, visualizar o propósito que nos orienta para escolher o melhor caminho a trilhar.

O conceito de propósito é amplo. Isso pode dificultar o estabelecimento de metas e  a escolha de instrumentos para atingí-las.  Se o propósto é ser feliz, como reconhecer o que me faz feliz e por quê?

Viver um dia de cada vez. Lao Tsé dizia que as grandes coisas são a soma das pequenas.  Então, há que se desmembrar o  propósito em metas, que são objetivos menores e identificáveis. Quer um exemplo? Queremos cultivar amizades? Essa escolha sinaliza que somos pessoas que valorizamos relacionamentos, então,  é trabalhar para que  as atitudes coloquem nossa rede social em prioridade. Sabendo disso, que tal fazer-se presente de forma positiva? Ligar para os amigos no aniversário; ser bom ouvinte; reconhecer  qualidades e êxitos alheios; mostrar-se disponível nas dificuldades. Esses pequenos atos traduzem um jeito afirmativo de aproximar-se do objetivo de fazer amigos.

Ciclo vicioso. Há pessoas que sabotam a própria existência. Optam por ações que andam na contra mão do que seria uma  vida profícua. Não escutam. Não enxergam. Não pensam no próprio existir e por isso ficam impossibilitados de avaliar o papel dos outros  na sua vida. E assim, vão perpetuando um circuito vicioso, um jeito improdutivo de relacionar-se que os mantêm  isolados ou presos numa teia de conexões costuradas pela incompreensão e por desacertos.

Ciclo virtuoso. Os atos cotidianos compõem nossa história. E esta, delineia nossa imagem. Só é possível construir um círculo virtuoso de existência por meio de ações  afirmativas.  E como seria esse círculo virtuoso? Ei-lo: quando  agimos de forma afirmativa e nos percebemos capazes de realizar algo, aumentamos nosso sentimento de autoestima; a autoestima ou  senso de valor pessoal  nutre um autoconceito positivo; e o autoconceito positivo  tende a ampliar a autoconfiança. E a autoconfiança nos move para a ação.

Autoestima, autoconceito e autoconfiança são indissociáveis. Eis o circuíto energético que alterna ação, autoimagem e sentimentos e produz uma história edificante.

O cântico dos pássaros.  As aves cantam porque são felizes ou são felizes porque cantam? Talvez a resposta seja que um ato alimenta o outro. Este é um exemplo de um ciclo auto-reprodutivo e virtuoso. Os pensamentos provocam sentimentos e vice-versa.  Por essa razão, assumir compromissos e atitudes alinhados ao propósito favorecem o êxito. O escritor alemão Goethe dizia que quando estamos comprometidos, o Cosmos conspira  a  favor e tudo vai se desenrolando de forma construtiva.

Somos seres biográficos. Isso significa que construímos uma história de vida. E só seremos bons construtores se lembrarmos que somos, também, seres de desejo e vontade. Quando aumentamos a intimidade com o nosso desejo, acendemos a vontade.

O desejo muitas vezes surge como inquietação passageira.  Mas desejar é manter a magia que enfeita nosso jeito de querer. A vontade é a intensidade desse querer e só com ela teremos disposição para cruzar as linhas de chegada da maratona da vida.

Utopia orientadora. O propósito de vida é uma utopia. Você sabe que essa palavra que dizer não-lugar ou lugar que não existe. Mas é o lugar que todos devem procurar sob pena de virar  autômatos. Seres sem história. A utopia não encaminha soluções, mas tem  papel motivador. É como estrelas no firmamento. Não as alcançaremos, mas podemos nos inspirar pelo brilho delas.

Rola mundo. O poeta Carlos Drumond, na poesia “Rola Mundo”,  fala-nos de “um muro de pedra e espanto”. Talvez seu verso esteja falando da parede que encontramos quando desconhecemos nossos propósitos.  O autoconhecimento ajuda a abrir janelas nas paredes encontradas no caminho.

Em resumo, o próposito de vida amplia o campo do pensável sobre que autobiografia queremos escrever.

Mentalidade confusa ou múltiplos caminhos para realizar um único propósito?

Este ensaio é dedicado a José Randolfo F. Xavier. Homem que nunca deixa de mirar sua estrela. E move-se com pés firmes em direção a ela.

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12 Comments

  1. Lidú,

    Como sempre, adoro o que você escreve. Pensei em dizer muita coisa, mas vou dizer apenas uma:obrigada pela sua amizade.

  2. Seu blog é maravilhoso! muito positivo e tranquilo cheio de paz. um beijao, valeu.
    José Roberto

  3. Oii Lidu! Q lindo!! Boa reflexão p mim nesse momento da minha vida e amei a dedicatória! O amor é td isso!! Bj!!

  4. Lidu, adoro sempre o que você escreve, mas este texto está particularmente interessante. Adorei!!! Beijão
    Bianca.

  5. Lidú,

    Quanto tempo! Você não esquece.
    Parabéns pelas reflexões.
    Deus te abençoe.
    Um grande abraço,
    Evaldo

  6. Parabéns! Num mundo cheio de metas convém falar delas a partir de outro olhar. E isso você sabe fazer com muita propriedade.

    Sônia Aragão

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