Ás vezes abandonamos o projeto no momento da revelação...
Ás vezes abandonamos o projeto no momento da revelação…

Decisão, iniciativa e persistência.

Essas qualidades associadas poderiam compor qualquer receita de sucesso.

Mas, será que tais fórmulas existem? Ou as ‘poções mágicas’ que garantem êxito resultam em quimeras?

De qualquer forma, saber decidir, ter iniciativa e manter-se firme na consecução de metas são atitudes tão básicas aos empreendimentos humanos que poderíamos chamá-las de ‘trindade para o êxito’.

Quando constatamos as dificuldades que muitos têm de decidir, as decisões acertadas que sucumbem à pouca iniciativa e ações que, mesmo depois de iniciadas, são vitimadas pelas  desistências desnecessárias, percebemos o peso  daquela ‘trindade’ na superação de metas.

Decidir é essencial. Sem decisão firme ficamos perdidos entre ações inúteis e  resultados imprevisíveis. Ter iniciativa é fundamental. É não esperar que outro tenha a atitude ou inicie um curso de ação que pode e deve ser nosso. Continuar o que foi iniciado é mão única para a finalização.

Perseverar é continuar decidido a, passo a passo, superar o espaço que nos separa do que projetamos. Persistir não é teimar. Permanecer num rumo por teimosia é obstinação. O exagero da persistência. A perseverança é constância que se renova. Corrige direções. Revê escolhas.

 Desistir por desistir é deixar que a decisão e a iniciativa sejam engolidas pelo desânimo. A perseverança exige ânimo para enfrentar repetições tediosas e flexibilidade para realizar ajustes e continuar renovado. Quando não mantemos ritmo e ação direcionados aos nossos alvos parece que a vida é algo fortuito. Um acidente do qual, muitas vezes, figuramos na condição de vítimas, apostadores ou coadjuvantes.

Não podemos confundir qualquer desistência à primeira dificuldade à desistência ponderada e sábia. O desistir movido pela perspicácia nos leva a perceber quando tomamos decisões equivocadas; ou se o primeiro passo foi dado na direção errada para os ajustes necessários.  Ás vezes, a desistência oportuna é a melhor decisão.

Passar por frustrações faz parte da maratona de realizações e tropeços que fazem a vida. Do ponto de vista psicológico, tempera a vontade, dá-lhe o sabor do senso de realidade misturado à ousadia.

E o que poderia unir decisão, iniciativa e persistência para que juntas nos ajudassem a decidir,  iniciar e dar continuidade aos nossos projetos?

Talvez uma das respostas seja: ter o moral elevado. O moral é o domínio da vontade humana sobre os próprios limites. O moral é a chama que acende a disposição. Leva-nos à ação assertiva, pois é a capacidade de nos mantermos firmes e determinados na busca das metas projetadas, a despeito das barreiras, mesmo quando parecem intransponíveis.

E o que nos anima a persistir? O que acende nossa vontade e a transforma em moral elevado? Se fizéssemos uma mistura de tudo o que consta nos manuais de Psicologia, nos livros de autoajuda e compêndios de Filosofia, possivelmente poderíamos elencar como atitudes-chave da conduta disciplinada: objetivo realístico,  autoconsciência e humildade para buscar apoio.

Saber para onde caminha é essencial; firmar objetivos realísticos poupa-nos de frustrações desnecessárias. Por isso, é preciso avaliar condições e ponderar riscos. Objetivos embasados geram perspectiva de bons resultados.

Saber o que é significativo para nós, ter consciência do que mantém acesa a chama da própria vontade. Ter autoconsciência para alcançar metas congruentes aos nossos propósitos.

Ter a grandeza necessária para exercer a humildade e buscar apoio. Pedir a ajuda necessária de pessoas significativas que ajudam nos momentos críticos para que à travessia  não se acrescente a  solidão e o desamparo. Sentimentos que muitas vezes nos levam ao ressentimento e à tristeza e nos afastam de nossos projetos. Quando estamos confiantes não deixamos apagar o farol da vontade. E é sempre tempo de reacendê-lo

Somos capazes de discernimento e persistência. Tudo o que depende da nossa ação é possível. Por isso, estabelecido o objetivo, vá realizando tarefas, por menores que pareçam, mas que o coloquem mais perto de onde você quer chegar. Viva um dia de cada vez, mas siga em movimento. Seja profícuo na ação.

Nietzsche dizia em um aforismo: ‘O preço da fertilidade é ser rico em oposições internas. A gente permanece jovem apenas quando a alma não se espreguiça.’. É bom pensar nessas palavras do filósofo como um convite ao frescor da possibilidade de ser atuante no mundo.

 As ações encerram sempre um significado. Fazem parte do que semeamos, estejamos conscientes ou não do que será colhido. Não se aflija. Os minutos são as gotas que enchem o vaso do tempo. Toda receita é feita de pequenas porções. Siga em frente. 

 

A chave para o enigma talvez seja aceitar que em todo projeto há o tempo de 'ranger de dentes'e há o tempo de usufruir...
A chave para o enigma talvez seja aceitar que todo projeto tem um tempo de ‘ranger de dentes’e o tempo de usufruir…