Qual é mesmo o seu estilo?

Calce o seu estilo...

Calce o seu estilo...

A palavra estilo vem do latim stylus. Com significado original de estilete. O termo, na antiguidade, nomeava um instrumento de aguda precisão utilizado para escrever em tábuas sobre finas camadas de cera.

E quem quer que tenha escolhido esse vocábulo para definir o conjunto de características que nos diferenciam dos demais foi, no mínimo, perspicaz. Quando agimos, nosso estilo faz o mesmo que os estiletes antigos faziam na cera. Ele denota a forma como “cortamos o mundo”. Nos inserimos na realidade. É a marca da nossa presença. O jeito próprio de cada um.

O estilo é  a forma como nos posicionamos e nos afirmamos. È o que permanece como conduta  singular nas diferente ocasiões. Uma frase do Conde de Buffon sintetiza o caráter marcante do estilo pessoal: “O estilo é o próprio homem”.

Quando falamos em estilo, dois aspectos parecem resumí-lo: educação e moda.

É usual ouvir: “fulano nao tem estilo” referindo-se a alguém sem modos, com um padrão de conduta  de pouca civilidade. Também é lugar comum, apontar pessoas com apresentação pessoal impecável como sendo alguém com  estilo. Roupas bem  cortadas, harmônicas quanto à combinação de tecidos, cores e acessórios costumam remeter à imagem de alguém considerado estiloso.

Sem dúvida, o visual compõe a imagem que projetamos. Mas ter estilo é mais amplo. Refere-se às dimensões que compõem nossa  identidade existencial. O estilo pessoal é o resultado da convergência  de valores, crenças e cultura na configuração de nosso perfil atitudinal. Fatores com impactos imediatos no jeito como convivemos, agimos e trabalhamos

Romper a mesmice. Nosso estilo é uma construção individual.  Entretanto é tecido na malha da sociabilidade. É profundamente condicionado pelas interações e escolhas que vamos tecendo ao longo de nossa vida. O  estilo de cada um pode abrir portas  ou fechá-las para sempre.  O estilo pode aumentar o índice da aceitação social ou rebaixá-lo. E a aceitação social, para o psicólogo Abraham Maslow, é uma das necessidades básicas que movem o ser humano.

Nossas pegadas. Vamos sendo. Deixando marcas. E a peregrinação rumo ao autoconhecimento pede que observemos as marcações. Muitas delas, somente os outros percebem. São pontos cegos, muitas vezes, inacessíveis aos olhos do próprio caminhante. A autodescoberta  pede olhar atento para sabermos se aspectos de nosso estilo pessoal são amigos ou obstáculos.

Cuidar do estilo pessoal pede criticidade para um olhar agudo sobre nós mesmos. Exige flexibilidade para as transformações. E sobretudo, originalidade para manter o que deve ser preservado.

Nosso estilo é a nossa diferença. Observar. Aprender. Mudar. Mas é fundamental peneirar tudo pelo filtro do  nosso sistema pessoal. Avaliar limites; enxergar possibilidades. Pesar condições. Imitar por imitar é correr o risco de virar caricatura. Um fake. Algo estranho à  matriz de nossa identidade. É como calçar um lindo par de sapatos que não nos cabe e deforma nossos pés.

Mudança ou transformação? Alterar o estilo com parcimônia.  Entre mudança e transformação, prefira a segunda. Mudar vem de mover,  sair do lugar. Transformar vem de converter, partir de algo para ser a mesma coisa de um jeito diferente.  Mudanças podem ser bruscas. Transformação implica processo. Mudança tem a ver com mecanicismo. Transformação relaciona-se com organicidade.

Ponderação e Ousadia. A autoreflexão temperada pela ousadia ajuda a não adotar  escolhas radicais. A insatisfação  deve ser  estímulo à coragem e à determinação. Transformar-se exige coragem. A vontade de acender a luz da nossa história e mantê-la acesa precisa ser maior do que o medo de ficar no escuro.

Buda, o sábio da iluminação dizia: “O carpinteiro molda a madeira; os arqueiros moldam flechas; o sábio molda a si mesmo”.


Leveza e pé no chão.


4 comentários sobre “Qual é mesmo o seu estilo?

  1. Paulo de Tarso disse:

    Amiga Liduína,

    Este seu belo texto me remete a um conceito que sempre me marcou: “O caminho mais sábio é o caminho do meio e não o caminho dos extremos” . Moldar significa implementar as transformações necessárias e, ao mesmo tempo, manter o que deve ser preservado. Mais uma vez Parabéns.
    Sou um felizardo por poder usufruir de textos tão significantes.
    Abraços.
    Paulo

  2. Ieda Maranhao de Lacerda disse:

    Liduina,

    Não sei quanto tempo você precisa para nos repassar estas reflexões… Você aprendeu a usar o seu “estilete” e posso afirmar que você se garante…

    Não só espero ansiosa pelas suas mensagens de altissima qualidade e conteúdo, como também nos efeitos que elas têm em minha vida.

    Isso também é generosidade.

    Obrigada,

    Ieda

  3. Jandaia Lúcia Martins Nunes disse:

    Olá Liduína, recebi o endereço de seu blog e adorei…estou cursando serviço social e curiosamente lendo sua matéria encontrei respostas para algumas dúvidas que surgiram na apresentação de uma determinada matéria da faculdade. Gostaria de saber onde você mora…se seria possível apresentar uma palestra na fauldade onde estudo…AAAMMMEEEIII…
    Um abraço
    Jandaia

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