Que tal ser um ganhador de troféus?

O que é um troféu?
O que é um troféu?

A palavra troféu, expressão de origem grega, era utilizada pelos helênicos  em referência aos despojos ou pertences dos inimigos vencidos, tomados pelo vencedor para ratificar a vitória. Hoje, o vocábulo dá nome à taça ou objeto dado ao vencedor como reconhecimento concreto de um feito.

O troféu nos evidencia. Independente da empreita a que se dedicam, as pessoas buscam, além de sucesso e fortuna, estar em evidência. Ser visto como alguém destacado dos demais parece ser um valor em ascensão. Aparecer.  Ser laureado com distinções é cada vez mais valorizado.

Mas, sendo o troféu apenas um objeto, por que representa tanto como retribuição aos esforços investidos na empreitada existencial? Talvez, a razão seja nossa capacidade de simbolizar. Criar representações. Somos seres capazes de atribuir significados à experiência. Por esse motivo, o prêmio, apesar de ser um objeto em si, encerra muitos sentidos.

Esse fenômeno não é fortuito. O ato de ser premiado responde a muitos motivos existenciais: sentimento de autossuficiência ou orgulho, presunção, busca de autorrealização, desejo de personalização ou de destacar-se das pessoas comuns, anseio de reconhecimento e afiliação. Enfim, ser percebido como alguém de valor.

E não há uma hierarquia. Ou seja, um anseio referente ao nosso senso de valor pessoal não é melhor ou pior que outro. Estão todos presentes entre os elementos que compõem a condição humana. É verdade que alguns de nós investem exageradamente na vaidade,  no orgulho ou  na autossuficiência que vira presunção. Mas, todos esses  aspectos, em algum nível, estão presentes no que somos.

Os troféus têm forte poder motivador. Eles materializam o elogio, combustível  do agir humano. O troféu é um testemunho inequívoco de que alguém ou algum grupo prevaleceu sobre os demais em áreas socialmente valorizadas.Mas se o que nos move em busca de prêmios é somente vaidade e presunção de superioridade, a premiação pode  findar sendo maior que nossa própria história. E virarmos troféus de nós mesmos.

Existem duas atitudes que deveriam estar na base de todo ato de premiar: o reconhecimento e a reciprocidade.

O reconhecimento.  Na cultura ocidental, o reconhecimento do êxito alheio é pouco usual. Parece que  o ato de elogiar, além de  enaltecer o outro, nos diminui e produz sentimentos de insegurança e desvalia. Tal realidade pode ser alterada, se percebermos que  reconhecer alguém não apaga nossa luz, só evidencia que enxergamos que a luz do outro está acesa.

As relações humanas são especulares, o que significa que nossa existência  funciona como espelho que ajuda o outro a  se perceber melhor e vice-versa.  Atos, escolhas e posicionamentos de uns são inspirações para outros. Nos enxergamos e nos conhecemos, também,  a partir de como o outro reage à nossa presença. O outro tem informações sobre o que sou que jamais acessarei,  senão por seu intermédio. Somente esse fenômeno interacional já justificaria a necessidade de olharmos para o outros como parceiros existenciais na busca do autoconhecimento.

O filósofo Lou Marinoff diz que devemos pensar em nós mesmos como montanhas majestosas na vasta cordilheira humana.  O fato de o outro ser montanha não significa que eu não seja, também. Ao contrário, pessoas talentosas ou exemplares são modelos que podem levar-nos a elevar nossos propósitos.

A reciprocidade. Disposição de ânimo que nos leva a agir de forma mútua. A reciprocidade é filha do senso de justiça e  leva-nos a  retribuir de forma justa, o  que recebemos. Se alguém nos trata de forma gentil é justo tratar-lhe de maneira cordial. Se alguém mostra-se disponível para ajudar,  é esperado que seja ajudado.

Relacionamentos pautados na ingratidão e na desqualificação do valor pessoal do outro  estão condenados à desconfiança, à intolerância e ao rancor. Atitudes que inviabilizam relações capazes de produzir bem-estar emocional e social. 

O reconhecimento e a reciprocidade são próprios das personalidades desprendidas e com alto senso de valor da alteridade. O pódio, digo, a capacidade de realização e fruição do que foi construído, é lugar para pessoas que apresentam essas características.

O psicólogo Carl Rogers dizia que devemos ser tudo o que  podemos  ser, ou seja, cada um tem a tarefa de tornar-se pessoa. Para ele, somos movidos por necessidades. E a  motivação por necessidade de estima e apreço é indissociável das necessidades  ligadas à alteridade. Necessidades de adequação social, como amor e amizade.

Drummond escreveu: “na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que os homens se comunicam”. De fato, somos seres relacionais, irremediavelmente marcados pela existência do outro. O maior desafio humano é a convivência e talvez, conviver de forma compreensiva – reconhecendo e retribuindo – seja nosso mais exigente e valioso troféu.

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6 Comments

  1. Liduína,

    Parabéns pelo blog! Os textos são muito interessantes e cada um traz um ensinamento valioso para nossas vidas. Particularmente, gostei muito do texto “Uma rotina eficaz é aliada do sucesso”. (Como não consegui comentar por lá, vou fazê-lo por aqui mesmo.) Acredito que nossos objetivos e sonhos vão sendo alcançados pouco a pouco, à medida que construímos uma rotina permeada com bons hábitos, como foi muito bem explicitado no seu texto.

    Parabéns mais um vez!
    Voltarei sempre aqui para buscar inspirações para a minha rotina!

  2. Querida Lidu,
    Minha admiração por você aumenta a cada nova contribuição que recebo. Esta sua maneira tão desprendida de compartilhar o conhecimento me deixa muito feliz.
    Abraços

  3. Está lindo o seu blog!!!!

    Muito inspirador, vou divulgá-lo bastante no meu ambiente de trabalho. Muitas dicas, de fácil compreensão e gostoso de ler!

    A cada dia me encanto mais com a senhora!

    Beijo no coração!

    Amanda

  4. Querida Lidu, que pessoa maravilhosa é você! É um prazer imenso compartilhar dos seus conhecimentos, participar um pouquinho desse seu momento. Parabéns pelo Blog e um grande beijo!
    Iraci

  5. Lidu, nos conhecemos há uma semana e parece que te conheço há décadas. Esse é um sentimento que nutro por pessoas que me acrescentam, que me melhoram como pessoa e você tem esse dom…pelas respostas a seus “posts” vejo que não é um privilégio meu apenas, mas de todos que se quedam maravilhados com suas palavras tocantes. Fiquei surpresa ao te conhecer e em 10 minutos de conversa você já identificar minha paixão pela educação.Vou ler todos os seus “posts”‘ e confesso que me arrependo de não tê-lo feito desde quando Cacilda me sugeriu há uns 4 meses atrás, mas nunca é tarde para aprender.Grande beijo, Márcia Campos

    1. Querida Tereza,

      Obrigada pelo comentário e carinho.
      Também tive grande prazer em conhecê-la.
      Bom conhecer quem comunga o amor pela educação.
      Beijo.

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