É impossível alcançar elevação intelectual prescindindo de leituras pertinentes ao crescimento que desejamos obter, seja em conhecimento ou habilidades.

Razão pela qual é inegável o papel da leitura em todo processo de formação.

Seja para fins de desenvolvimento humano ou no preparo profissional, precisamos de leituras que sedimentem competências cognitivas, sensíveis e práticas.

A questão é que nem toda leitura provoca impactos benéficos e duradouros, daí a importância de, de vez em quando, avaliarmos o emprego do tempo dedicado aos livros.

Seja para fins de distração ou visando à extração de informações úteis, o universo de leituras que nos interessa costuma estar reduzido a necessidades imediatas: livros cuja leitura apesar de trazer algum benefício não nos influencia de forma permanente; livros inócuos de conteúdo correto, mas superficial e textos de linguagem pobre que facilitam a leitura, mas não provocam desequilibrações cognitivas construtivas. (mais…)

‘Eu realmente preciso ler?’

Já ouvi muito essa pergunta. E, pasmem, até de alunos de cursos de pós-graduação.

Certa vez, um rapaz que acabara de concluir a graduação, confessou jamais haver lido um único livro. Perguntado sobre como cumprira a lista de leituras exigidas no vestibular, respondeu-me que havia lido resumos emprestados de uma colega.

O exemplo é desolador quanto às possibilidades de construção de formações profissionais sólidas e confiáveis, mas o fato é que há estudantes que não consideram a leitura, mesmo remotamente, uma atividade necessária.

E o mais angustiante é o fato de tal realidade ser mais corriqueira do que se possa imaginar. (mais…)

Algumas perguntas são recorrentes nas entrevistas a escritores: ‘Qual o livro mais marcante’? ‘Que livro teve maior influência no seu estilo’? Que livro você recomendaria para quem deseja se tornar escritor?

Se examinarmos a memória dessas conversas, perceberemos que as respostas dos escritores, para esse tipo de questão, quase nunca são fluídas ou espontâneas. Há certa pausa; os entrevistados ou não respondem ou o fazem de forma reticente e esquiva.

Por que será? (mais…)

Acabo de reler É Isto um Homem? De Primo Levi. Leitura forte para esses tempos turbulentos de pandemia. Dias difíceis de assimilar.

O livro desse autor que viveu os horrores do holocausto, mesmo tendo qualidade literária extraordinária, não minimiza o impacto que a memória daquela hecatombe nos causa. Além disso, coloca em relevo a constatação dolorosa de que muitos dos maiores sofrimentos humanos foram infligidos pelos próprios homens aos seus semelhantes.

Provavelmente, pela sua importância humanitária, voltarei à releitura do livro de Levi, mas prometi a mim mesma que na quarentena, optaria por leituras leves.

Fiel a esse propósito, selecionei prováveis leituras para fazer até o final de maio (tomara que até lá, a noite que atravessamos já tenha amanhecido em dia de abraços, reencontros e novo esperançar). (mais…)

Gabriel Pacheco, “Icaro nel Cuore de Dedal”

Quem nunca sonhou em ficar longe das obrigações de trabalho e poder abrir janelas de tempo para tarefas escolhidas por iniciativa própria e livres de imposições?

Esse é o cenário de sonho para muitos. Ocorre que às vezes, precisamos encarar situações nas quais essa ‘liberdade’ chega, mas implica guardar um tempo de reclusão.

É o caso das quarentenas, quando o privilégio de estar liberado da rotina pode virar um fardo e levar as pessoas a experimentarem sentimentos de opressão, desânimo e, não raro, culminar em desespero.

Vivemos agora essa situação. O isolamento social para evitar a contaminação pelo Covid-19 materializa esse cenário de forma palpável e, também, o desafio de ultrapassar o momento com estabilidade emocional. (mais…)