As atividades humanas pedem cada vez mais conhecimento. Tal realidade impõe maciça necessidade de constante atualização

Estamos mergulhados num universo (caótico?) de informações. Há um número infindável de livros, sites e publicações,além de toda a gama de conhecimentos não sistematizados.

Esse cenário faz do planejamento, uma prática cada vez mais indispensável aos distintos segmentos da ação humana e põe a gestão pessoal do conhecimento entre as atividades mais essenciais aos esforços pessoais e coletivos de formação profissional.

Se conversássemos com os leitores mais assíduos, perceberíamos que eles costumam seguir um itinerário de leituras.

Eles sabem de que leituras precisam. Muitos fazem planilhas para planejamento e controle de estudos e leituras. Mas de forma geral, a maioria dos grandes leitores têm uma pauta mínima sobre o que precisam ler em determinado período.

Uma pauta de leitura é uma relação previamente elaborada dos livros e textos (em ambiente físico ou virtual) que, na visão do próprio leitor, devem ser lidos em certo espaço de tempo, conforme fins e critérios definidos.

O leitor pode estar buscando aprendizagem especializada, formação geral, amadurecimento intelectual ou apreciação estética. Independente dos objetivos é impossível alcançá-los, prescindindo de uma jornada de leituras.

Outro aspecto que impõe a necessidade da definição prévia de um roteiro pessoal de leituras é a enorme variedade de lançamentos editoriais e o aumento da oferta de livros, seja em livrarias, sites de e-books, seja por meio de bibliotecas públicas, acadêmicas e sebos.

Algumas atividades exigem mais planejamento de leituras a realizar do que outras.

Exemplos? Os especialistas, cujas atividades profissionais exigem o acúmulo e sistematização contínua de informações em determinada área, costumam planejar com atenção e seguir um cronograma do que precisam ler. Na maioria dos casos, são leituras de cunho técnico-profissional que se confundem com atividades de estudo.

Outro grupo que precisa definir um percurso de leituras a realizar, conforme seus fins e estilos literários são os escritores. Ninguém pensa no vazio. Quem escreve precisa de um background de conhecimentos que o torne apto a explorar diferentes assuntos e hábil na forma de abordá-los.

Além desses fatores, há outro que evidencia a relevância de planejar o que se vai ler. A leitura é uma interlocução. Ao ler, tomamos conhecimento de ideias do autor (uma ideia puxa outra) que o remete a outros autores, ideias, livros e interesses. E esta cadeia só aumenta na medida em que nos tornamos leitores mais assíduos.

Um exemplo? Quem leu a Eneida, do poeta Virgílio, possivelmente vai querer ler A Morte de Virgílio, de Hermann Broch.

Planejar leituras, entretanto, é um método de gestão do conhecimento e não uma escravidão. O leitor é sempre livre para estabelecer o que vai ler e até se vai ler algo ou não. Por tudo isso, uma pauta de leitura não deve ser fixa e imutável. É importante ir acrescentando ou cortando títulos. Somente, assim, o planejamento será fiel ao itinerário de leituras que o leitor precisa realizar.

As atividades das diferentes áreas assimilam cada vez mais conhecimento e impõem maciça necessidade de constante atualização.

O itinerário de leituras não deve ser um sacrifício. Se alguém, por algum motivo, enxerga o ato de ler como dolorosa obrigação,é bom dar uma parada e pensar no sentido e utilidade que a leitura tem para si mesmo.

É possível exercitar a rebelião. Afinal, rebelar-se contra regras que podem nos aprisionar é um caminho de reflexão. E Nietzsche já dizia: ‘A nobreza do escravo é a rebelião’.

Mas, a rebelião do leitor já é assunto para outro ensaio.

Conhecer é o desejo mais  pulsante do homem.

Aristóteles, o sábio grego, ensinava que ‘O homem deseja ardentemente conhecer’. Para ele, conhecer é vocação humana. Entretanto, podemos afirmar mais. Devemos reconhecer que o concurso do conhecimento é imprescindível à atuação humana  sobre a realidade para adequá-la aos requisitos da sobrevivência.

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O que é ser um leitor?

Há inúmeros critérios que definem quem pode ser considerado um leitor. Para o senso comum, o leitor é alguém que pode ler e faz uso dessa faculdade quando tem vontade ou necessidade.

Mas, há critérios técnicos para conceituar um leitor. Os institutos e clubes de difusão da leitura costumam ter parâmetros quantitativos para estabelecer suas próprias definições. O Instituto Pró-Livro, por exemplo, adota um critério quantitativo e considera leitor toda pessoa que leu pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três últimos meses.

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O que é um livro intransponível?

É todo livro célebre que gostaríamos de ler, mas desistimos da leitura, por falta de disposição para ultrapassar as centenas de páginas que nos separam do seu ponto final.

E a razão para que os leitores rotulem essas obras de intransponíveis é a crença de que um livro volumoso é necessariamente tedioso.

É como se o livro extenso ao invés de anunciar uma grande obra proporcionada pela genialidade do autor, antecipasse sua incapacidade.

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Em 2021, eu olharei para o tempo como alguém que olha para o par perfeito de mãos estendidas diante de si; descansarei depois de cada justa e inevitável luta; abraçarei as gentes todas que a vida me presenteou e presenteará. Sem elas não há rumo ou ar.

Enxugarei as lágrimas sempre que, mesmo me consolando, elas teimarem em banhar meu rosto que não se rende a tristezas vãs.

Em 2021, avançarei, apesar do que me atingir e ficarei embriagada de felicidade quando eu puder construir algo, ajudar alguém, pensar, escrever, ver um dia nascendo cheio de promessas ou simplesmente saber que qualquer ato ou palavra minha esteve a serviço da felicidade de alguém ou pelo menos ajudou a amenizar um fardo.

Esse ano quero honrar cada vez mais os rostos amigos que estão perto de mim, meus companheiros mais próximos de minha jornada na terra.

Em 2021, eu quero. E espero que minha vontade seja alegre e justa. Não apenas para mim, pois tudo que é bom pode ser compartilhado.

Enfim, olharei para 2021 como quem olha para um tempo de fé e ressurreições.