Será que conseguimos ler quando nos sentimos tristes, desanimados e até descrentes de nós mesmos?

Realmente, é difícil imaginar que nos momentos, em que o estado de ânimo é abalado por dificuldades, a leitura ajudaria a abstrair e trazer algum alívio do peso que sentimos.

A ideia mais cultivada sobre o que nos alivia quando estamos exaustos, fatigados ou vulneráveis é a de que a leitura é tarefa árdua, inócua e ainda mais tensionadora.

A proposta aqui é rever o modelo mental que nos leva a ter essa impressão e descobrir que a experiência de ler nas horas desafiadoras traz forte alento. Nessas horas, ler pode ter o efeito de uma oração; pode ser uma diversão que abrirá um portal para a evasão das ideias obsessivas que teimam em se repetir como espiral insana na preocupação.
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A frequência assídua a bibliotecas traz amplos benefícios à formação, por isso, deveria  ser aspecto mais valorizado nos currículos escolares.

A realidade é oposta. Subutilizamos as bibliotecas como meio capaz de fornecer um lastro de saberes que faz diferença no tipo de pessoa que queremos nos tornar.

Quando vamos a uma biblioteca, podemos acessar um universo de informações, experiências e mentalidades que será tanto melhor aproveitado, se adotarmos um regime de visitas sistemático.

Personalidades que deram contribuições fundamentais à história humana sabiam do papel das bibliotecas como lugares de conhecimento. Como exemplo disso, podemos apontar como verdadeiros ‘ratos de biblioteca’, personalidades como: Freud, Karl Marx, Jorge Luiz Borges, Sartre.

Karl Marx leu praticamente todos os livros de Filosofia, História e Economia do acervo da biblioteca de Londres, quando morou naquele país. E seu humor cáustico tornava-se ainda mais tórrido, quando o funcionário precisava fechar o prédio, forçando-o a encerrar o estudo.

Sartre, por sua vez, no livro autobiográfico ‘As palavras’, confessa como as leituras feitas nas bibliotecas do avô e da escola, foram decisivas na elaboração das ideias que o levaram a ser um pensador sagaz.

Essas e outras figuras extraordinárias encarnam o fato de que para um bom preparo é imprescindível que a prática de frequentar bibliotecas ocupe lugar importante.

Na experiência escolar não deve ser diferente. A biblioteca não pode ocupar um espaço ínfimo na vida da escola. Os estudantes devem ser orientados e estimulados a utilizar a biblioteca e considerá-la como tesouro do qual, todos precisam se apropriar.

As práticas educacionais, contudo, ainda precisam avançar na apropriação e valorização das bibliotecas. Pode ser bem maior o número de professores que reservam tempo de sua disciplina para incentivar os educandos a frequentar ativamente as bibliotecas.

Nas instituições de ensino superior, por exemplo, é suficiente uma ida à biblioteca para perceber o rápido entra e sai de alunos à cata dos livros adotados no semestre escolar. Os livros-texto exigidos nos trabalhos escolares costumam ser os únicos volumes solicitados.

Reconheçamos. Houve melhora no nível de aproveitamento das bibliotecas como equipamentos essenciais, mas ainda há um universo de estudantes e professores que precisam ser sensibilizados.

Alguns hábitos podem aperfeiçoar a consulta aos acervos. Por exemplo, nas visitas, experimente levar as ementas das disciplinas cursadas e buscar os livros ali indicados. Assim, é possível ir além do livro-texto visando aprofundamento da matéria. Também é importante ler prefácios e apresentações que nos chamam atenção para potencializar a compreensão do objetivo do livro e eliminar leituras não-pertinentes.

Uma boa prática é reservar pelo menos um dia no mês para ir sem compromisso à biblioteca da escola e deixar-se flanar com o espírito livre. Aberto à novidade e à descoberta.

Do ponto de vista de ampliação do espectro de aprendizagem, é rico buscar títulos da Literatura universal que tratem do assunto das matérias do semestre e ainda, vasculhar livros de poesia e Filosofia que abordem a temática de estudo sob uma nova perspectiva.

Mesmo em tempos de WEB, a frequência consistente à biblioteca escolar é maneira substantiva de conhecer livros, autores e abordagens de conhecimento que podem transformar mentalidades e mudar histórias de vida.

Em cada escola em que a biblioteca é uma ‘parte morta’ ou um depósito de livros abandonados, há estudantes negligenciados no seu processo de formação.

Com quantos livros se faz um escritor? Ou, quantos livros alguém precisa ler para abraçar a escrita com proficiência?

Certa vez, li um artigo que se propunha a responder tal questão. O texto deixou-me pensativa.

O autor iniciava com uma declaração que dizia mais ou menos assim: ‘Digo a quem pretende começar a escrever agora, que não importa quantos livros tenha lido, já está com um déficit de leitura de pelo menos seis mil títulos’.

Confesso. A aspirante a escritora que habita em mim ficou assustada. Bateu-me um sentimento de raiva. Perguntava-me se o autor não teria a secreta intenção de levar à desistência, todos os que almejavam o ofício da escrita. (mais…)

É impossível ler tudo o que queremos no tempo que almejamos.

São tantas as escolhas possíveis, dentre a massa de títulos que compõem os acervos das livrarias, bibliotecas e sebos que a saída é fixar um itinerário mínimo de leituras que façam sentido na história pessoal de cada leitor.

Talvez este seja o motivo do sucesso das listas de livros recomendados e de publicações do tipo: livros para ler antes de morrer; livros para amar; livros mais lidos pelos grandes escritores. Entre outros títulos sugestivos do que deve ser lido.

E é justo reconhecer que essas recomendações têm valor como indicadores úteis para alcançarmos experiências pertinentes de leitura.

Acontece que cada leitor precisa construir atalhos e realizar percursos que o levem a lugares congruentes com as metas e propósitos pessoais. Essa adequação é o que, antes de tudo, dará sentido e consistência à jornada de cada pessoa como leitora.

O ideal é que o leitor, a partir de seus propósitos, firme um julgamento do que é a leitura e qual a sua finalidade dentro de sua própria história.

Entretanto, apesar de cada leitor ter sua visão particular do ato de ler, há uma base comum de finalidades em cada gênero literário que pede que tracemos diretrizes que dirijam minimamente nossa experiência como leitor.

E essa experiência será delineada conforme os objetivos próprios de cada um. Senão, vejamos. Quando o desejo é aprofundar o conhecimento de áreas técnicas, a opção é investir tempo na leitura de artigos, periódicos técnicos e manuais científicos. Eles fornecem o cabedal de informações que ajudam a manejar ideias teóricas com proficiência.

Se quisermos soltar a imaginação, a ficção é a melhor escolha. Se a ideia é aprimorar a capacidade reflexiva nos temas que nos são valiosos, a pedida é mergulhar nos ensaios que por sua natureza ampla permitem visualizar de forma ampla uma mesma temática.

Caso a leitura objetive o ganho de fôlego na compreensão filosófica, a saída passa  pela leitura de mestres da Filosofia. Se o objetivo é descobrir a própria capacidade de captar e expressar a realidade com sensibilidade, as linhas sensíveis da poesia serão ótima trilha. Mas se a meta é incrementar a capacidade de apreciação estética, os textos de dramaturgia e os livros de arte e fotografia são velhos e sábios amigos.

Finalmente, se você pretende ler para escrever melhor, então, prepare-se. Sua pauta de leitura será mais extensa ainda. Considere tudo, dos clássicos aos últimos lançamentos. Literatura Nacional e Estrangeira – romance, ficção científica, terror. E ainda, correspondências, biografias, viagens, Poesia com ou sem rima, Mangá e gibi.

Seria possível continuar elencando opções, mas paramos aqui.

Antes de finalizar, contudo, é bom recordar que quando se trata de leitura, preconceito não ajuda. Quando for traçar seu itinerário, abra as portas da percepção e diversifique as representações do que seja o valor da leitura. Suas opções serão ainda mais ricas.

É possível imaginar um intelectual sem uma razoável biblioteca? Será plausível que um estudante consiga eficiência se não aliar ao estudo persistente,horas de boa leitura?

Difícil, não é? Os benefícios da leitura para a formação intelectual e o preparo profissional são indiscutíveis.

Mas, que tal olhar outros benefícios da prática de leitura?

Costumamos ver o ato de ler, somente dos pontos de vista útil e pragmático,  enxergando-o apenas como ação mecânica e funcional.

Mas, o ato de ler envolve muito mais. (mais…)